O secretário-geral da ONU declarou-se hoje "profundamente preocupado com o grave incidente" ocorrido a bordo de um voo da Flydubai com destino a Telavive, ao mesmo tempo que afirmou estar "aliviado por uma tragédia ter sido evitada".
"O secretário-geral [da ONU, António Guterres], condena veementemente qualquer ato que ponha em risco a vida dos civis e a segurança da aviação civil" e "agradece às autoridades competentes por terem garantido a segurança de todos os passageiros", informou o seu porta-voz, Stéphane Dujarric, num comunicado.
O incidente aconteceu na quarta-feira, quando, alegadamente, os dois pilotos do voo que fazia a rota entre o Dubai (Emirados Árabes Unidos) e Telavive (Israel) se confrontaram na cabine, o que provocou uma queda do avião de cinco mil metros em menos de 30 segundos, gerou pânico a bordo e levou a alertas de emergência e um código associado a uma possível tentativa de sequestro.
Segundo relatos divulgados pela imprensa internacional, a tripulação e passageiros habilitados terão conseguido intervir na cabine de comando e assumir o controlo do voo, aterrando de emergência no aeroporto de Tabuk, na Arábia Saudita, onde foram hospitalizados vários tripulantes.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram hoje a criação de uma equipa de procuradores para investigar se houve motivação terrorista no incidente do voo entre Dubai e Telavive, no qual, segundo Israel, um piloto tentou abater o avião.
De acordo com a agência de notícias emirati WAM, o procurador-geral do país, Hamad Said, ordenou a recolha de provas para esclarecer as circunstâncias do incidente no voo da Flydubai, determinar as suas motivações e apurar se houve "planeamento prévio ou ligação a atividades terroristas".
Após o desvio, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou que o copiloto tentou despenhar o avião depois de esfaquear o piloto, classificando o incidente como um "ataque", enquanto o seu ministro da Defesa, Israel Katz, o qualificou como uma tentativa de atentado "terrorista 'jihadista'".
O Ministério Público dos Emirados Árabes Unidos (EAU) esclareceu que está a assumir jurisdição do caso porque o avião opera sob bandeira emirati, o que permite a aplicação da sua lei a crimes cometidos a bordo, mesmo em território estrangeiro.
A intervenção do Ministério Público acontece um dia depois de a Autoridade Geral de Aviação Civil dos EAU — com a qual os procuradores estão agora a coordenar as investigações — ter classificado o caso como um "incidente de segurança" e ter iniciado uma investigação preliminar.
O Ministério Público pediu ainda ao público que "evite especulações" enquanto se aguardam os resultados oficiais, e a Flydubai solicitou que não se tirem conclusões precipitadas sobre as causas da altercação.
A Emirates, uma das companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos (EAU), anunciou hoje a suspensão imediata dos seus voos partilhados com a empresa aérea de baixo custo Flydubai de e para Telavive.
Na noite de quarta-feira, a Flydubai anunciou a suspensão temporária dos voos de e para Israel após o episódio entre o piloto e o copiloto, medida que "permitirá às autoridades competentes continuar o seu trabalho e esclarecer todos os factos relacionados com o incidente".
A Semana com NM/Lusa

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