domingo, 04 outubro 2026

Entre corridas e despesas: A luta diária dos taxistas que mantêm a Praia em movimento

Antes do nascer do sol, taxistas e condutores informais (Clan) já estão nas estradas da Praia em busca de passageiros e, entre custos elevados, longas jornadas e incertezas diárias, estes profissionais lutam para garantir o sustento familiar. 

 

“Há dias bons e dias difíceis. Não temos um valor fixo garantido no final do dia, porque dependemos das corridas que aparecem”, contou.Para Jorge, além das dificuldades financeiras, o sector precisa de maior acompanhamento e diálogo entre os profissionais e as entidades responsáveis.

 

Para estes profissionais, cada corrida representa mais do que uma deslocação de passageiros. É uma forma de garantir o sustento familiar num sector onde as despesas aumentam e os desafios tornam-se cada vez maiores.

A Inforpress acompanhou a rotina de três condutores que diariamente enfrentam as estradas da Praia, entre a pressão dos custos operacionais, a insegurança e a necessidade de continuar a trabalhar.

Às 06:00 da manhã, Jorge Andrade já está junto à sua viatura numa das zonas movimentadas da cidade. Antes de iniciar o serviço, verifica os pneus, limpa o interior do carro e certifica-se de que tudo está preparado para mais uma jornada.

Taxista há mais de 20 anos, acompanhou as mudanças no sector e garante que actualmente é necessário trabalhar mais horas para conseguir o mesmo rendimento.

“Hoje temos mais despesas. O combustível está caro, as peças aumentaram de preço e a manutenção do carro pesa muito. Muitas vezes precisamos prolongar o horário de trabalho para compensar”, afirmou.

Durante o dia, percorre diferentes zonas da capital, transportando trabalhadores, estudantes, idosos e visitantes, mas explica que a profissão é marcada pela imprevisibilidade.

“Há dias bons e dias difíceis. Não temos um valor fixo garantido no final do dia, porque dependemos das corridas que aparecem”, contou.

Para Jorge, além das dificuldades financeiras, o sector precisa de maior acompanhamento e diálogo entre os profissionais e as entidades responsáveis.

A profissão também tem atraído pessoas de outras ilhas que procuram na capital novas oportunidades. É o caso de Carlito, natural da ilha do Fogo, que há um ano e meio trabalha como taxista na cidade da Praia.

A mudança surgiu da necessidade de procurar melhores condições de vida, mas a experiência na capital trouxe também momentos de medo. 

Com apenas dois meses a viver na Praia, Carlito foi vítima de um sequestro, durante o qual sofreu agressões físicas e psicológicas por parte dos assaltantes. 

O episódio durou cerca de cinco horas e, naquele momento, chegou a acreditar que não sairia vivo da situação.

“É perigoso ser taxista na Praia. Neste um ano e meio já fui assaltado e sequestrado. Depois disso fiquei com receio, porque nunca sabemos quem entra no nosso carro ou o que pode acontecer durante uma corrida”, relatou à Inforpress.

Apesar do trauma, afirma que continuar a trabalhar é uma necessidade.

“Tenho medo, mas não tenho outra alternativa. Preciso trabalhar para garantir o meu sustento e da minha família”, afirmou.

Depois do episódio, passou a adoptar mais cuidados durante o serviço, estando mais atento aos passageiros, aos locais solicitados e aos horários das corridas.

Enquanto os táxis licenciados integram o sistema formal de transporte individual, outros condutores encontram no transporte informal, “clan”, uma alternativa de sobrevivência.

Dany, nome fictício, tem 29 anos e há quatro anos trabalha como condutor informal. A decisão surgiu depois de dificuldades em encontrar um emprego estável.

“Foi uma oportunidade que encontrei para conseguir algum rendimento. Não é fácil, porque não temos salário garantido”, explicou.

Segundo o jovem, cada dia representa uma nova incerteza.

“Há dias em que conseguimos fazer algum dinheiro e outros em que quase não compensa, porque também temos combustível, manutenção e outras despesas”, afirmou.

Entre os principais desafios apontados pelos profissionais estão os custos operacionais, sobretudo combustível, peças, revisões mecânicas e outras despesas associadas à manutenção das viaturas.

De acordo com os valores definidos pela Agência Reguladora Multissectorial da Economia (ARME), em Julho de 2026 o preço máximo da gasolina foi fixado em 162 escudos por litro, enquanto o gasóleo normal passou para 139,90 escudos por litro, aumentando a pressão sobre quem depende diariamente da estrada.

Apesar destes avanços, os trabalhadores continuam a apontar desafios como o aumento das despesas, a concorrência do transporte informal e a segurança durante o exercício da profissão.

Para muitos moradores da capital, o táxi continua a ser uma peça fundamental na mobilidade diária.

Ana Teixeira, passageira habitual, utiliza o serviço para se deslocar ao trabalho e reconhece a importância destes profissionais.

“É um transporte importante porque permite chegar mais rápido aos destinos. Mas também esperamos qualidade, segurança e preços acessíveis”, afirmou.

Quando a cidade começa a abrandar e muitas pessoas já regressaram a casa, vários taxistas continuam nas ruas à procura da última corrida do dia.

Entre despesas, riscos e incertezas, seguem ao volante de uma profissão que mantém a Praia em movimento e revela histórias de trabalhadores que todos os dias enfrentam a estrada em busca de melhores dias.  

A Semana com Inforpress

 

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Comentários

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