Ao anunciar o adiamento dos ataques americanos contra as infra-estruturas energéticas iranianas na sequência do que qualificou de "muito boas" discussões com Teerão "rumo a uma resolução total" das hostilidades, Donald Trump disse na sua rede social que "o diálogo iria continuar esta semana".
Este anúncio surge depois de o Presidente americano ter ameaçado "destruir" as instalações energéticas do Irão se até esta noite Teerão persistisse em bloquear o Estreito de Ormuz, via estratégica por onde passavam 20% das importações de hidrocarbonetos do Golfo antes do começo da guerra a 28 de Fevereiro.
Em resposta a este ultimato, ainda esta manhã, o Irão tinha dito que no caso de os Estados Unidos cumprirem a sua ameaça, iria não só colocar minas navais no Golfo, como também iria fechar completamente o estreito e atacar "todas as infra-estruturas de energia, tecnologia da informação e dessalinização dos Estados Unidos".
Os órgãos estatais também publicaram hoje listas de potenciais alvos de infra-estruturas energéticas no Médio Oriente, nomeadamente as centrais eléctricas israelitas de Orot Rabin e Rutenberg e outros alvos na Arábia Saudita e nos emirados do Golfo.
Trocas que não deixaram de suscitar a preocupação durante este fim-de-semana. Hoje, a Agência Internacional da Energia disse encarar a hipótese de colocar no mercado mais barris de petróleo para responder à carência de combustível induzida pelo bloqueio de Ormuz, esta entidade estimando que o mundo poderia viver a pior crise energética em décadas.
Habitualmente reservada acerca desta crise, Pequim alertou para o risco de uma situação "incontrolável". Em Moscovo, o Kremlin defendeu apenas a "via política e diplomática".
Apesar dos sinais enviados por Trump, no terreno, a violência tem continuado. No irão, onde se estima que morreram mil a três mil e duzentas pessoas, as autoridades deram conta de bombardeamentos israelitas contra várias zonas de Teerão, sendo que os Emirados Árabes Unidos, o Bahrein e a Arábia Saudita deram igualmente conta de tiros de mísseis.
No Líbano, onde os ataques israelitas já provocaram mais de mil mortos e cerca de um milhão de deslocados, Israel disse que vai "intensificar as operações terrestres direccionadas e os ataques" para afastar o Hezbollah da fronteira com o seu território, intentos denunciados pelo Presidente libanês Joseph Aoun.
Refira-se ainda que para além das vítimas do Irão, do Líbano e dos países do Golfo, o conflito vigente há quatro semanas causou 15 mortos civis em Israel e 13 baixas no seio das forças americanas.
A Semana com RFI






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