O Alto Comando Militar, que protagonizou o golpe de Estado de Novembro do ano passado na Guiné-Bissau, emitiu um comunicado esta quinta-feira (1), a anunciar que "não estão reunidas as condições de segurança" para garantir o regresso do ex-Presidente Umaro Sissoco Embaló. Nas redes sociais, uma das contas atribuídas a Umaro Sissoco Embaló publica um texto em que reage ao comunicado dos militares e em que anuncia aguardar o levantamento das restrições.
“Esperamos, por isso, que estas restrições sejam ultrapassadas brevemente e que todos os cidadãos e candidatos possam exercer os seus direitos e preparar-se, em liberdade e segurança, para a nova realidade eleitoral”, pode ler-se.
No comunicado divulgado esta quinta-feira, o Alto Comando Militar - que dirige a Guiné-Bissau desde o golpe de Novembro - escreve “que não estão, por enquanto, reunidas as condições de segurança necessárias para garantir o regresso ao território nacional do antigo Presidente da República”.
A decisão – acrescenta o documento - fundamenta-se “exclusivamente em razões de segurança nacional, preservação da ordem pública e prevenção de situações susceptíveis de comprometer a estabilidade e tranquilidade social”.
Por outro lado, os militares reiteram que continuam em vigor as medidas de segurança estabelecidas no âmbito da Transição Política, nomeadamente a proibição de manifestações, concentrações e aglomerações de cariz político até nova determinação das autoridades competentes. O documento alerta que "qualquer acto de desacato ou incumprimento" destas normas "será da inteira responsabilidade dos respectivos autores".
Em reacção, no Facebook, uma das contas atribuídas a Umaro Sissoco Embaló publica um texto em que reage ao comunicado dos militares e em que anuncia aguardar o levantamento das restrições. “Esperamos, por isso, que estas restrições sejam ultrapassadas brevemente e que todos os cidadãos e candidatos possam exercer os seus direitos e preparar-se, em liberdade e segurança, para a nova realidade eleitoral”, pode ler-se.
A publicação apela, ainda, aos “apoiantes, simpatizantes e a todos os guineenses para que permaneçam serenos, firmes e determinados, abstendo-se de qualquer comportamento que possa provocar instabilidade, insegurança ou confrontos”.
Umaro Sissoco Embaló foi deposto pelos militares no dia 26 de Novembro de 2025, naquilo que a oposição chamou de um "golpe cerimonial" por ocorrer em vésperas da divulgação dos resultados provisórios das eleições presidenciais que o bloco defende terem sido ganhas "à primeira volta" por Fernando Dias da Costa. Embaló foi derrubado num golpe liderado pelo general Horta Inta-a, seu antigo chefe de segurança na Presidência da República.
No início desta semana, Umaro Sissoco Embaló anunciou nas redes sociais o seu "regresso voluntário ao país" no domingo 4 de Outubro. Depois, numa entrevista à revista Jeune Afrique, anunciou que será candidato nas eleições presidenciais de 06 de Dezembro.
A Semana com RFI África

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