sábado, 03 outubro 2026

Portugal: Patoy destaca-se como um dos poucos homens a integrar grupo de batuque na diáspora

O cabo-verdiano Manuel Carvalho, mais conhecido por Patoy, é um dos poucos homens a integrar um grupo de batuque em Portugal, defendendo que esta manifestação cultural deve ser preservada e transmitida por homens e mulheres.

 

Em declarações à Inforpress, a propósito do Dia Nacional do Batuque, assinalado anualmente a 31 de Julho em Cabo Verde, Patoy, vocalista do grupo Batucadeiras das Olaias, composto por 17 elementos, dos quais três homens, afirmou que o seu envolvimento neste género musical cabo-verdiano começou na infância e nunca foi posta em causa por ser do sexo masculino.

"O batuque, é considerado uma das manifestações mais antigas de Cabo Verde, e tradicionalmente sempre foi executado e liderado por mulheres, mas acredito que os homens também podem contribuir para a sua valorização, divulgação e preservação”, afirmou.

O artista, 49 anos, reconheceu que ainda “existe algum preconceito” em relação à participação masculina no batuque, mas assegurou nunca o ter sentido ao longo das suas lides nesta manifestação cultural que é património nacional.

“Entrei no batuque aos sete anos e ninguém me vai dizer para o abandonar. Enquanto tiver forças, vou continuar”, declarou.

Natural do município de Santa Catarina de Santiago, Patoy emigrou para Portugal em 2003, e integra, desde de a sua criação, em 2019, o grupo Batucadeiras das Olaias, que actua regularmente em festivais, encontros culturais e iniciativas promovidas por associações cabo-verdianas em vários pontos do país.

Para o imigrante santacatarinense, o batuque “não tem género”, lembrando que esta manifestação cultural nasceu em contexto em que as mulheres aproveitavam os momentos de convívios para cantar, dar torno [dança de batuque, em português] e partilhar experiências.

Patoy apontou como principal referência o falecido Ntóni Dente d’Ouro, lendário intérprete e guardião do batuque e do finaçon e um dos raros homens que teve reconhecimento nestes géneros musicais.

“Sempre me inspirei no Ntóni Denti d’Ouro, que era homem, e esteve no batuque até morrer. Sou um seguidor dele e quero continuar no batuque até ao fim da minha vida”, afirmou.

Autor de mais de 50 composições, explicou que privilegia temas ligados à identidade cabo-verdiana, à imigração, à família, à terra natal e às figuras que marcam a sociedade, evitando abordar assuntos da vida privada das pessoas.

Entre as músicas do repertório destacou “Nha Santa Catarina”, “Mãe”, “Avião” e “Presidente”.

“Quero que, quando as pessoas ouçam as nossas músicas, sintam a tradição, a cultura e a ligação à nossa terra”, referiu.

Questionado sobre a introdução de instrumentos musicais modernos no batuque, Patoy mostrou-se aberto à inovação, desde que a essência da manifestação seja preservada.

“Podemos introduzir alguns instrumentos em determinadas músicas, mas o importante é manter o batuque tradicional baseado na voz e txabeta, instrumento utilizado como percussão”, defendeu.

O grupo cabo-verdiano, que já reúne mais de 50 composições originais, pretende gravar o primeiro álbum, estando o projecto em fase de preparação.

Na sua opinião, o crescente interesse dos jovens pelo batuque, tanto em Cabo Verde como na diáspora, representa um sinal positivo para a continuidade desta manifestação cultural.

Por isso, defendeu um maior investimento das autoridades cabo-verdianas na promoção do batuque em Portugal, nomeadamente através do financiamento para gravação de músicas e videoclipes.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
26 dias atrás 23 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
28 dias atrás 16 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
30 dias atrás 22 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport