quarta-feira, 29 julho 2026

Zelensky diz que iniciativa da guerra "já não está nas mãos de Putin"

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou na terça-feira, 28 de julho, que "a iniciativa [da guerra] já não está nas mãos de Putin", sustentando que o presidente russo continua sem demonstrar vontade de pôr termo ao conflito, apesar de perder "30 mil soldados por mês".

 

No encontro realizado na Casa Branca, Zelensky afirmou ter obtido de Trump as licenças necessárias para a coprodução de mísseis intercetores Patriot, considerados essenciais para reforçar a defesa antiaérea da Ucrânia.

 

"Pedimos todos os dias para pôr fim a esta guerra, pelo menos para negociar um cessar-fogo temporário e dar oportunidade aos diplomatas de negociar. Mas Putin não quer (...). É por isso que temos de responder, ser duros, ser fortes. Não apenas nós. Contamos com as sanções", declarou Zelensky, numa entrevista concedida à emissora norte-americana Fox News.

O presidente ucraniano deslocou-se a Washington para se encontrar com o homólogo norte-americano, Donald Trump, e participar nas cerimónias fúnebres do senador Lindsey Graham, conhecido pelo seu apoio à Ucrânia.

No encontro realizado na Casa Branca, Zelensky afirmou ter obtido de Trump as licenças necessárias para a coprodução de mísseis intercetores Patriot, considerados essenciais para reforçar a defesa antiaérea da Ucrânia.

"Ele aceitou dar-nos as licenças e depois tive uma reunião com representantes do setor da produção, empresas militares muito importantes dos Estados Unidos", afirmou. "Espero que possamos avançar para uma coprodução", acrescentou.

Por sua vez, Donald Trump escreveu na plataforma Truth Social que o encontro com o Presidente ucraniano "correu muito bem".

De acordo com dados das Nações Unidas, junho foi o mês mais mortífero para os civis ucranianos desde abril de 2022, devido ao aumento dos ataques russos com mísseis balísticos, mais difíceis de intercetar.

Os sistemas Patriot norte-americanos são os únicos capazes de intercetar este tipo de mísseis, mas a Ucrânia enfrenta uma grave escassez de mísseis PAC-3, situação agravada pela guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão em 28 de fevereiro.

Um alto responsável ucraniano disse à agência France-Presse que Moscovo pretende intensificar os ataques, através do envio de novos lançadores de mísseis balísticos para junto da fronteira e aguardando, em agosto, novas entregas provenientes da Coreia do Norte.

"É crucial que Washington autorize a compra de um lote de mísseis Patriot", afirmou a mesma fonte, admitindo que "muito dependerá do humor do Presidente Trump".

Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou, apenas durante o mês de julho, 120 mísseis balísticos e antinavio de alta velocidade contra a Ucrânia, dos quais apenas 35 foram intercetados. Em todo o ano de 2024, Moscovo disparou entre 250 e 320 mísseis balísticos.

Zelensky acrescentou que a reunião de terça-feira serviu também para discutir a via diplomática e defendeu que é "importante que o processo diplomático seja revivificado" para pôr fim ao conflito, escreveu o Presidente ucraniano na rede social X.

As relações entre Zelensky e Trump foram, durante muito tempo, marcadas pela tensão. Desde o regresso à Casa Branca, o Presidente norte-americano reduziu significativamente as entregas diretas de armamento a Kiev, privilegiando o programa PURL, que permite aos países europeus adquirir armas para posterior transferência para a Ucrânia.

Em fevereiro de 2025, os dois líderes protagonizaram uma discussão no Salão Oval, durante a qual Trump acusou Zelensky de ingratidão e de "brincar com a Terceira Guerra Mundial".

Nas últimas semanas, porém, o presidente norte-americano tem adotado uma postura mais conciliatória, chegando a elogiar publicamente o homólogo ucraniano e a afirmar que este está a fazer "um trabalho formidável".

Após a reunião na Casa Branca, Zelensky deslocou-se ao Senado norte-americano para defender a aprovação de novas sanções contra a Rússia, medidas que Trump terá apoiado. Na noite de terça-feira, o Senado fez avançar um projeto de lei que terá ainda de ser aprovado em votação final antes de seguir para a Câmara dos Representantes.

As relações entre Moscovo e Washington deterioraram-se nos últimos meses, afastando-se do clima de aparente entendimento que se seguiu ao encontro entre Vladimir Putin e Donald Trump, realizado no Alasca, em agosto de 2025.

Na semana passada, durante uma reunião em Manila, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, advertiu o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, contra a continuação das entregas de armas à Ucrânia.

 

A Semana com DN/Lusa

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Comentários

Soares
18 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
22 dias atrás

Boa sorte

Terra
12 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

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