A Associação Cabo-verdiana de Ecoturismo alertou hoje para um aumento de algas em Cabo Verde, fenómeno já observado em anos anteriores e que deve ser vigiado para prevenir riscos para ecossistemas e saúde pública.
"Durante quatro dias, toneladas e toneladas de algas sargaço chegaram, por exemplo, à baía de Nossa Senhora da Luz", recordou Edita Magileviciute, que considerou a resposta das câmaras municipais "um bocadinho atrasada".
"A migração de sargaço para Cabo Verde já começou (...), mais cedo do que no ano passado", disse, segundo Saudemais que cita Lusa, a presidente da associação, Edita Magileviciute.
Quando "grandes quantidades" de algas permanecem acumuladas nas praias, podem começar a decompor-se e a libertar gases como metano e sulfureto de hidrogénio.
"O metano é um gás com efeito de estufa, enquanto o sulfureto de hidrogénio pode provocar problemas de saúde, como dores de cabeça e irritação da garganta", afirmou.
Por isso, a responsável defendeu que a remoção seja feita, de preferência, nas primeiras 72 horas, antes de se iniciar a decomposição da biomassa, quando a acumulação atingir 25 centímetros, com base em orientações internacionais, citadas pela responsável.
A associação recomendou que moradores, pescadores e outras pessoas que vivem ou trabalham junto ao mar comuniquem às autoridades a existência de grandes acumulações de algas.
A organização acompanha o fenómeno através de imagens de satélite e de monitores comunitários em Praia Baixo e Moia Moia, duas comunidades costeiras da ilha de Santiago.
Além disso, o alerta já foi encaminhado para a Direção Nacional do Ambiente, indicou, defendendo o envolvimento das delegações do Ministério do Ambiente, das câmaras municipais, da Proteção Civil, da Polícia Marítima e de organizações ambientais na resposta.
Conforme a mesma fonte, a recolha deve ser feita com luvas, máscaras e vestuário adequado, procurando evitar danos na areia causados pela utilização de máquinas e camiões.
A associação alertou ainda para a necessidade de definir um destino seguro para a quantidade de alga retirada, devido à possível presença de metais pesados, como arsénio.
A experiência do ano passado, segundo a responsável, mostrou a necessidade de uma intervenção mais rápida e coordenada na ilha de Santiago.
"Durante quatro dias, toneladas e toneladas de algas sargaço chegaram, por exemplo, à baía de Nossa Senhora da Luz", recordou Edita Magileviciute, que considerou a resposta das câmaras municipais "um bocadinho atrasada".
Este ano, a Câmara Municipal de São Domingos, já iniciou a recolha de algas, segundo a associação.
A responsável admitiu que as alterações climáticas podem contribuir para o aumento da presença destas algas, mas considerou que não é possível apontar apenas o aumento da temperatura do oceano como causa.
"A proliferação pode estar ligada à temperatura, mas também ao fluxo de nutrientes, às correntes ou ao vento", afirmou.
A associação defendeu mais investigação para perceber quais os fatores que levam grandes quantidades de algas até às costas cabo-verdianas, considerando que o fenómeno pode afetar também os ecossistemas costeiros.
Grandes acumulações de algas podem dificultar a circulação de animais marinhos e a saída das crias de tartaruga para o mar, além de alterarem as condições das praias utilizadas para turismo.

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