A nascente do Torno produz cerca de 250 metros cúbicos de água por dia, quantidade insuficiente para assegurar, por si só, o abastecimento do município da Ribeira Brava, informou hoje o administrador-executivo da AdSN, Ivândir Cabral.
Em entrevista à Inforpress, o administrador-executivo da empresa Águas de São Nicolau (AdSN) reagiu às declarações de um operador turístico da Ribeira Brava que afirmou que a nascente de Torno poderia reforçar o abastecimento de água em São Nicolau.
Conforme explicou o responsável, a produção da nascente de Torno varia ao longo do ano, podendo atingir aproximadamente 500 metros cúbicos diários (m3/dia) entre Novembro e Maio, período de maior disponibilidade hídrica, enquanto entre Junho e Outubro tende a reduzir-se para cerca de metade.
Segundo Ivândir Cabral, a nascente do Torno não apresenta actualmente qualquer avaria, mas o sistema necessita de investimentos estruturantes, sobretudo na rede de adução entre a nascente e o reservatório de Ventoso, visando melhorar a capacidade, eficiência e segurança do abastecimento.
O administrador-executivo da AdSN esclareceu ainda que, no passado, a água era conduzida por gravidade através de vários túneis, tendo sido identificadas perdas ao longo desse sistema.
Para ultrapassar provisoriamente essa situação, foi instalada uma estação elevatória que permite encaminhar directamente a água produzida pela nascente para o sistema de distribuição.
“Com esta solução, toda a água actualmente produzida pela nascente está a ser aproveitada”, afirmou, acrescentando que a água chega ao reservatório de distribuição em Cabeçalinho.
Paralelamente, encontra-se em curso um estudo, financiado pela Cooperação Luxemburguesa, destinado a definir investimentos estruturantes para o sistema do Torno, incluindo soluções definitivas para a rede de adução e para o aproveitamento do recurso hídrico.
Segundo o mesmo, a água da nascente do Torno é, actualmente, utilizada para abastecer várias localidades do município, nomeadamente Cachaço, Canto Fajã, Lompelado, Água das Patas, Campinho, Talho, Fael, Tchan Culinha e Pombas.
Sobre as afirmações que defendem que a recuperação do sistema do Torno poderia contribuir para resolver os problemas de abastecimento de água na Ribeira Brava, Ivândir Cabral reconheceu a importância da nascente, mas sublinhou que a sua produção actual não é suficiente para assegurar, isoladamente, o abastecimento de todo o município.
O responsável explicou que o sistema de abastecimento depende actualmente da combinação de diferentes fontes, nomeadamente das nascentes e da produção de água dessalinizada.
Relativamente a dessalinizadora da Preguiça, Ivândir Cabral reconheceu que a infra-estrutura necessita de uma reabilitação profunda e da modernização de vários dos seus componentes, razão pela qual estão previstas intervenções de maior dimensão, mas rejeita as declarações que a mesma esteja obsoleta e sem investimento.

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