terça-feira, 06 outubro 2026

Fogo: “A Pele da Terra” promove educação ambiental através da arte - promotores do projecto Constructores

A Associação Projecto Vitó destacou, quinta-feira, a importância da parceria local que permitiu a realização do projecto artístico “A Pele da Terra”, uma iniciativa que reuniu jovens de Cabo Verde, Alemanha e Colômbia em torno da sensibilização ambiental.

O director executivo da associação, Herculano Dinis, disse que a organização teve como principal missão garantir a articulação logística e criar as condições necessárias em parceria com a Escola Secundária Dr. Teixeira de Sousa, envolvendo docentes, alunos e encarregados de educação.

Para Herculano Dinis, a escolha da arte como ferramenta de educação ambiental representa uma forma inovadora de aproximar os jovens das questões relacionadas com a conservação da natureza.

Além das tradicionais palestras, apresentações e actividades de campo, o projecto procurou diversificar as estratégias de sensibilização através de expressões artísticas, culturais e científicas.

“O projecto permitiu trabalhar várias vertentes da vida dos adolescentes através da arte, ambiente, ciência e cultura”, disse, acrescentando que a experiência foi um desafio para o programa de educação ambiental da associação, mas que acabou por revelar um forte envolvimento dos participantes.

A iniciativa também valorizou elementos da identidade da ilha do Fogo, como a sua cultura e a condição de Reserva Mundial da Biosfera, aspectos considerados fundamentais para promover a compreensão dos jovens sobre a necessidade de preservar os ecossistemas.

A professora de educação artística da Colômbia Ana Cristina Lopez, integrante do projecto “Constructores”, explicou que o espectáculo “A Pele da Terra” nasceu de uma reflexão sobre a importância do solo e da relação entre a humanidade e a natureza.

“Esta criação foi inspirada no solo, o solo onde cultivamos os nossos alimentos e que permite à humanidade sobreviver. A pele da terra refere-se à importância de cuidar desse recurso”, afirmou.

A professora alertou para o processo de degradação dos solos a nível mundial e questionou o futuro da humanidade caso continue a perda de áreas férteis para produção de alimentos.

“Somos responsáveis por termos ou não comida suficiente. A questão é saber como construímos diariamente esta relação entre o solo e nós”, sublinhou.

O espectáculo utilizou materiais simples, como cordas e resíduos, transformando-os em elementos simbólicos para transmitir mensagens ambientais.

Segundo Ana Cristina Lopez, a proposta artística demonstrou que é possível criar beleza e reflexão com poucos recursos.

A corda, por exemplo, foi utilizada para representar a redução dos espaços disponíveis para os animais devido ao desmatamento e ao crescimento das cidades, enquanto os resíduos encontrados em diferentes locais da ilha serviram para alertar sobre a problemática da gestão do lixo.

“Encontrámos espaços bonitos no Fogo cheios de lixo. Queremos sensibilizar as pessoas sobre o que está a acontecer na ilha e sobre a importância de criar políticas que melhorem a gestão dos resíduos”, afirmou.

O primeiro contacto para a implementação do projecto foi com a ilha do Maio, mas após dificuldades relacionadas com a continuidade da parceria inicial, os responsáveis encontraram na Associação Projecto Vitó um novo parceiro para a sua concretização.

Ana Cristina Lopez destacou que a ligação com a ilha do Fogo ganhou um significado especial devido à presença do vulcão activo e à forte relação da população com a terra.

“O solo deste lugar fala. O vulcão está presente e, em algum momento, voltará a entrar em actividade. Essa relação com a terra é muito próxima e precisamos, enquanto seres humanos, caminhar em sintonia com essa consciência”, afirmou.

A responsável considerou que o principal objectivo da iniciativa foi alcançado, sobretudo pelo envolvimento dos jovens e pela parceria estabelecida com a Associação Projecto Vitó e a Escola Secundária Dr. Teixeira de Sousa.

“A ideia é semear esta consciência desde já, começando pelos jovens”, concluiu.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
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joão do rosário
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