terça-feira, 06 outubro 2026

ADAD defende antecipação das campanhas contra queimadas e reforço da fiscalização no meio rural

A Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD) defendeu  esta segunda-feira campanhas contínuas de sensibilização contra as queimadas agrícolas e alertou para a necessidade de reforçar a fiscalização.

Em entrevista à Inforpress, o membro da ADAD Daniel Xavier sustentou que o combate a esta prática não se pode limitar ao período das chuvas, devendo envolver continuamente agricultores, associações comunitárias, autarquias e demais instituições para demonstrar os impactos negativos no solo e na biodiversidade.

O ambientalista sublinhou que, embora as queimadas representem um desafio global, a intervenção técnica de proximidade nas zonas rurais cabo-verdianas diminuiu nos últimos anos, tornando premente a reactivação dos serviços de extensão agrícola.

“Os extensionistas tinham um papel importante na educação e sensibilização dos agricultores. Hoje essa figura praticamente desapareceu e faz muita falta junto das comunidades rurais”, afirmou Daniel Xavier.

De acordo com o responsável, a queima dos restos vegetais provoca a perda de matéria orgânica que poderia ser incorporada no solo, além de destruir micro-organismos e inimigos naturais responsáveis pelo equilíbrio dos ecossistemas.

“É um atentado contra a própria biodiversidade”, advertiu, defendendo que os resíduos agrícolas sejam incorporados no solo através de técnicas adequadas, contribuindo simultaneamente para a fertilização e conservação da humidade.

O representante da ADAD alertou ainda que a remoção total da cobertura vegetal deixa o solo exposto à erosão, agravando o risco de desertificação, sobretudo com a chegada das primeiras chuvas.

“O terreno fica totalmente descoberto e aumenta o arrastamento do solo para as ribeiras e para o mar”, explicou, lembrando que os agricultores já beneficiaram, no passado, de orientações técnicas sobre práticas de conservação dos solos.

Para o ambientalista, as campanhas de sensibilização devem recorrer à televisão, rádio e redes sociais, mas que o contacto directo com as comunidades continua a ser indispensável para mudar comportamentos e consciência de cada um.

Daniel Xavier defendeu igualmente o reforço da fiscalização e a aplicação das medidas previstas na legislação.

“Em Cabo Verde não é a falta de leis que constitui o problema, mas sim a fiscalização e a aplicação da lei”, sustentou, acrescentando que, quando a sensibilização não produz resultados, torna-se necessário recorrer às medidas coercivas para proteger a biodiversidade e evitar os elevados custos do combate aos incêndios.

O responsável lembrou que a ADAD desenvolve acções regulares de educação ambiental junto das escolas, universidades e comunidades, considerando que a sensibilização das crianças constitui uma estratégia importante para promover mudanças de comportamento no seio das famílias.

Para os agricultores Daniel Xavier apelou ao cumprimento das recomendações técnicas e ao resgate das boas práticas tradicionais de conservação dos restos vegetais, sublinhando que a recuperação da biodiversidade destruída pelos incêndios pode levar muitos anos.

"Temos de prevenir para evitar uma catástrofe. Cabo Verde não dispõe de meios suficientes para combater grandes incêndios nas zonas montanhosas e a melhor solução continua a ser a prevenção", concluiu.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
29 dias atrás 14 horas atrás

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jcf

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joão do rosário
2 dias atrás

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