sexta-feira, 02 outubro 2026

I Internacional

Papa Leão XIV defende que Europa deve "sacrificar algumas posições em prol do bem maior da paz"

O papa Leão XIV apelou na segunda-feira (28 de setembro) a um renovado compromisso europeu com a paz, o diálogo e o multilateralismo, alertando contra o ressurgimento da guerra e dos "massacres inúteis" que todos os dias matam civis.

 

 

Segundo o papa, a Europa "pode ​​pôr fim a esta espiral" graças a uma tradição de respeito pelos outros e às instituições que construiu desde a Segunda Guerra Mundial. "Demonstrou amplamente, nos últimos 80 anos, que é possível fazer valer opiniões, reivindicações e interesses divergentes, procurando o diálogo em vez do confronto", argumentou.

 

Leão XIV defendeu que a Europa deve "empenhar-se num diálogo paciente, demonstrar coragem nas negociações e estar disposto a sacrificar algumas posições em prol do bem maior da paz", numa referência implícita à guerra na Ucrânia (o nome do país nunca foi referido).

As declarações foram feitas num discurso em que referiu várias vezes o pensamento de Robert Schuman, um dos pais da União Europeia, que dá nome ao auditório em Merz onde discursou no último dia da sua viagem oficial a França.

Ao seu lado estava o presidente francês, Emmanuel Macron, que tinha apelado antes aos europeus para redescobrirem o espírito dos fundadores do continente e para resistirem ao regresso do nacionalismo.

"A paz não se decreta, constrói-se", afirmou Macron, defendendo que o apoio europeu à Ucrânia está em linha com o ideal de paz que inspirou a criação da União Europeia.

Esse foi também o foco de Leão XIV, que lamentou contudo o reaparecimento da guerra na Europa. “Hoje, infelizmente, a guerra reapareceu, incluindo na Europa. Um novo 'massacre inútil' [uma expressão usada por Bento XV na Primeira Guerra Mundial] que todos os dias causa inúmeras vítimas civis”, disse o papa na sua intervenção no Centro de Congressos Robert Schuman.

"O direito internacional e o multilateralismo sublinham a igualdade efetiva dos Estados nas suas relações mútuas e constituem o melhor antídoto contra a vontade de dominar que está na origem de cada disputa", acrescentou Leão XIV.

“Hoje em dia, as relações humanas e as relações entre os Estados tornam-se cada vez mais bárbaras”, referiu, lembrando que "o valor da palavra dada é desprezado; em vez disso, a mentira e o engano são motivos de orgulho".

Segundo o papa, a Europa "pode ​​pôr fim a esta espiral" graças a uma tradição de respeito pelos outros e às instituições que construiu desde a Segunda Guerra Mundial. "Demonstrou amplamente, nos últimos 80 anos, que é possível fazer valer opiniões, reivindicações e interesses divergentes, procurando o diálogo em vez do confronto", argumentou.

O papa terminou com uma mensagem para os jovens: "Tende a coragem de viver com responsabilidade a missão de construir a paz no vosso coração, nas vossas relações, na vossa família, nas escolas e nas universidades, na vida das vossas cidades, dos vossos países e de toda a Europa. Não vos submetais à lógica da violência e da opressão."

A visita do papa a França vai terminar com uma última missa às 16h00 (13h00 em Cabo Verde) na Catedral de Santo Estêvão, antes das cerimónias de despedida no aeroporto de Metz.

 

A Semana com Diário de Notícias

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 11 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
27 dias atrás 3 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
29 dias atrás 9 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport