No último discurso na Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral António Guterres alertou para um mundo mais dividido e inseguro, defendeu a reforma do Conselho de Segurança e exigiu representação permanente de África.
"Temos de reformar o Conselho de Segurança para que este reflita o mundo atual, com a legitimidade e a eficácia que os desafios de hoje exigem", afirmou. Para o responsável, a atual estrutura continua ancorada na realidade do pós-Segunda Guerra Mundial e não representa o equilíbrio de forças do século XXI. Guterres apontou África como o exemplo mais evidente dessa desigualdade, por continuar sem qualquer assento permanente no principal órgão de decisão da ONU.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou, esta terça-feira, que o mundo atravessa um período de crescente instabilidade e está hoje mais sombrio do que quando assumiu funções há quase uma década. No seu último discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, o diplomata português alertou para uma "convergência de ameaças sem precedentes" e apelou ao reforço da paz e da cooperação internacional.
Perante os líderes mundiais reunidos em Nova Iorque, Guterres lamentou o aumento dos conflitos armados, das divisões geopolíticas e das desigualdades.
"Na última década, eclodiram guerras com consequências devastadoras e que se prolongaram com uma crueldade atroz. Os civis foram transformados em alvos, os direitos humanos foram pisoteados, a fome foi usada como arma, trabalhadores humanitários foram mortos e o direito internacional foi posto de lado", declarou.
O secretário-geral apelou a um cessar das hostilidades no Médio Oriente, condenou a invasão russa da Ucrânia e voltou a chamar a atenção para a guerra no Sudão, que, segundo afirmou, continua a provocar uma das mais graves crises humanitárias do mundo sem a devida resposta internacional.
Reforma da ONU e lugar para África
A cerca de cem dias de deixar o cargo, Guterres defendeu também uma reforma profunda das Nações Unidas, com particular destaque para o Conselho de Segurança.
"Temos de reformar o Conselho de Segurança para que este reflita o mundo atual, com a legitimidade e a eficácia que os desafios de hoje exigem", afirmou.
Para o responsável, a atual estrutura continua ancorada na realidade do pós-Segunda Guerra Mundial e não representa o equilíbrio de forças do século XXI. Guterres apontou África como o exemplo mais evidente dessa desigualdade, por continuar sem qualquer assento permanente no principal órgão de decisão da ONU.
"Temos de reformar o Conselho de Segurança para que este reflita o mundo atual", apelou António Guterres.
O secretário-geral deixou ainda alertas sobre os riscos da inteligência artificial, defendendo mecanismos globais que garantam uma utilização segura e responsável desta tecnologia.
A Semana com DW África/Lusa

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