Rússia Unida conseguiu também eleger todos os governadores que apresentou nas eleições regionais.
O RU obteve, segundo a mesma fonte, nestas eleições 57,83% dos votos nas listas partidárias, o que se traduz em 147 lugares, aos quais se somam 208 lugares conquistados por círculos eleitorais.
O partido do Kremlin, Rússia Unida (RU), renovou a maioria constitucional na Duma, ou câmara dos deputados, após as eleições legislativas realizadas este fim de semana, naquele que foi o melhor resultado da sua história, informou esta segunda-feira a Comissão Eleitoral Central (CEC), soube a CNN Portugal que cita a agência EFE.
O partido no poder deverá obter 355 dos 450 lugares do parlamento nas eleições realizadas entre 18 e 20 de setembro, segundo os dados oficiais preliminares, após a contagem de mais de 95% dos votos.
Apesar dos problemas sociais e económicos relacionados com os quatro anos e meio de guerra na Ucrânia, trata-se do melhor resultado da sua história, superando o recorde de 343 deputados alcançado em 2016, dois anos depois da anexação da península ucraniana da Crimeia.
O RU obteve, segundo a mesma fonte, nestas eleições 57,83% dos votos nas listas partidárias, o que se traduz em 147 lugares, aos quais se somam 208 lugares conquistados por círculos eleitorais.
A Rússia tem um sistema misto, no qual metade dos lugares da Duma (225) é distribuída através de listas e a outra metade por círculos eleitorais, perfazendo um total de 450 lugares na câmara baixa do Parlamento russo.
Mais reformas constitucionais ao alcance
Desta forma, o RU deverá, revela a fonte referida, ultrapassar largamente os 301 lugares necessários para obter a maioria que permite introduzir reformas constitucionais. O partido no poder conta com 324 deputados na Duma cessante.
Isto permitiu-lhe, em 2020, alterar a Constituição e eliminar as cláusulas que impediam o Presidente russo, Vladimir Putin, de se recandidatar em 2024, pelo que poderá perpetuar-se no poder, se assim o desejar, até 2036.
Entretanto, os comunistas obtiveram apenas 13,81% dos votos nas listas e cinco lugares por círculos eleitorais, num total de 40 deputados na Duma. Seguem-se os ultranacionalistas do Partido Liberal Democrático, com 8,98% nas listas e 25 deputados, e os liberais do Novas Pessoas, com 7,96% e 20 lugares.
Com a contagem ainda por concluir, o Rússia Justa não consegue entrar no parlamento através das listas, mas acaba por obter representação através dos círculos eleitorais, com quatro deputados.
Segundo a presidente da CEC, Ella Pamfilova, esta formação "ainda tem hipóteses" até estar concluída a contagem dos votos, o que, nesse caso, reduziria o número de lugares do RU.
Conforme ainda a fonte deste jornal, o único partido contrário à guerra, o Yabloko, que foi excluído das listas pelo Supremo Tribunal, não conseguiu eleger qualquer deputado. Os seus melhores resultados foram segundos lugares em vários círculos eleitorais da capital russa.
O líder da formação, Nikolai Rybakov, afirmou, após o encerramento das urnas, que o Yabloko teria sido o segundo partido mais votado nas primeiras eleições parlamentares realizadas durante a guerra caso tivesse figurado nos boletins de voto.
Pamfilova, que insistiu na conferência de imprensa que a Rússia tinha sido alvo de todo o tipo de pressões, ataques e ciberataques durante a campanha e a votação, sublinhou que as eleições decorreram de forma limpa, apesar das numerosas denúncias da oposição.
A participação foi de 59,32%, superior ao esperado, embora em locais como as regiões ucranianas anexadas de Donetsk e Lugansk tenha rondado os 80%.
Rússia Unida elege todos os governadores que apresentou
Segundo ainda a EFE, o partido do Kremlin, Rússia Unida, conseguiu eleger os nove governadores que apresentou nas eleições regionais realizadas entre sexta-feira e domingo, informaram esta segunda-feira as autoridades eleitorais russas.Os governadores em funções das regiões fronteiriças de Belgorod, Alexander Shuvaev, e Bryansk, Yegor Kovalchuk, bem como de Tver, Vitali Koroliov, mantiveram-se nos cargos com 65,97%, 76,05% e 69,69% dos votos, respetivamente, segundo dados da Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia.
O chefe da República da Mordóvia, Artyom Zdunov, foi reeleito com 77,74% dos votos, enquanto o líder checheno, Ramzan Kadyrov, acusado de governar a região com mão de ferro, manteve-se no cargo com um apoio recorde de 99,85%, conclui a fonte deste jornal.

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