Domingos Simões Pereira, presidente deposto da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau e líder do PAIGC, apelou ao boicote ao referendo deste domingo, sublinhando que as condições não estão reunidas para o efeito. Num vídeo divulgado nas redes sociais a partir de Portugal, o político sublinha que ficar em casa no próximo domingo é “defender a liberdade e a democracia” da Guiné-Bissau, além de significar “continuarmos a ter esperança de que a verdade prevalecerá no amanhã”.
“Não estão criadas as condições para que o povo guineense possa ser confrontado com esta pergunta que se diz que será resolvida no domingo”, afirmou.
Domingos Simões Pereira pediu, por isso, aos apoiantes da sua formação política que permaneçam em casa no dia da votação e não se dirijam às assembleias de voto: “No domingo devemos ficar em casa. No domingo, devemos boicotar este referendo”.
De acordo com a RFI, o líder do PAIGC advertiu ainda para os riscos de uma participação no referendo, mesmo que seja para votar contra a consulta. Segundo Simões Pereira, não existem garantias de que o sentido do voto seja devidamente controlado ou reflectido nos resultados finais: “Haverá, certamente, alguns de nós que vão pensar que o melhor é irmos à assembleia de voto e votar ‘não’, mas depois não há condições de controlar o ‘não’”.
Para o dirigente político, a presença de eleitores nas ruas e nas assembleias de voto poderá ser posteriormente apresentada como uma demonstração de participação popular no processo.
Perante este cenário, Domingos Simões Pereira insistiu na necessidade de uma mobilização pelo boicote, defendendo que permanecer em casa constitui uma forma de defesa da liberdade e da democracia: “No domingo, fiquemos em casa. É uma forma de não só defendermos a nossa liberdade, como também de preservar a democracia e continuarmos a ter esperança de que a verdade prevalecerá no amanhã”.

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