Donald Trump afirmou que o Estreito de Ormuz seria reaberto "muito em breve", caso contrário o Irão seria alvo de um ataque "muito forte", e sugeriu que poderia ser alcançado um acordo até quinta-feira.
"Temos tido muitas boas discussões", declarou o presidente norte-americano, referindo-se às negociações com o Irão, tendo acrescentado mais tarde que um acordo poderia acontecer "amanhã (quarta-feira) ou no dia seguinte".
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse, na terça-feira, existirem "progressos" nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz entre o Irão e Omã, cujas costas banham o Estreito.
O site de informação norte-americano Axios cita "fontes regionais" que revelam que um acordo temporário de 60 dias está em vista para permitir a passagem em Ormuz, tudo isto sem portagens nem direitos de passagem.
Entre ameaças de destruição e declarações optimistas sobre negociações
Na terça-feira, o presidente norte-americano esteve ao telefone com o emir do Qatar, Tamim bin Hamad Al Thani, sobre os esforços "para acalmar as tensões" entre Washington e Teerão e "aproximar as duas partes", informou o palácio do Qatar num comunicado.
Na sequência do relançamento dos esforços diplomáticos, o preço do petróleo desceu acentuadamente em Wall Street e registou igualmente uma queda nos mercados asiáticos na quarta-feira de manhã.
Em meados de junho, o Irão e os Estados Unidos assinaram o protocolo de acordo de Islamabad, que se destinava a abrir caminho para as negociações de paz num processo de 60 dias, destinado a pôr definitivamente fim à guerra no Médio Oriente e a resolver uma série de questões, entre as quais a questão central do programa nuclear iraniano.
Um avanço significativo foi a reabertura do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão, e pelo qual passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito a nível mundial antes da guerra.
Mas este processo de paz foi de curta duração, descarrilando no início de julho, após ataques recíprocos entre os Estados Unidos e o Irão, tendo este último como alvo países aliados de Washington no Médio Oriente, como as monarquias do Golfo ou a Jordânia.
Na noite de segunda para terça-feira, um cargueiro que tentava atravessar o Estreito foi atingido por um projéctil, o que provocou um incêndio. Um membro da tripulação está desaparecido, segundo a empresa de segurança britânica Vanguard Tech.
O Irão tinha negado, na segunda-feira, qualquer diálogo com Washington, afirmando estar a negociar com Omã.
Donald Trump, que desde o início do conflito tem alternado entre promessas de destruição maciça e declarações optimistas sobre uma saída para a crise, já tinha ameaçado, há alguns dias, "atacar com força" a República Islâmica, antes de acabar por suspender os seus planos.
O conflito noutras frentes
O conflito do Médio Oriente estende-se também a outras frentes. No mar Vermelho – outra frente de batalha desde o reinício das hostilidades, em meados de julho, entre os rebeldes houthis do Iémen, aliados do Irão, e a Arábia Saudita –, um navio indiano afundou-se na terça-feira, depois de ter sido atacado.
Estes rebeldes anunciaram, a 20 de julho, um bloqueio marítimo aos portos sauditas e atacaram vários navios. Em retaliação, a coligação militar liderada por Riade lançou ataques contra instalações militares houthis.
A Semana com RFI

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