terça-feira, 29 setembro 2026

I Internacional

Migrações: 19 mortos na fronteira de Ceuta onde situação continua tensa

Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira ao tentarem entrar na cidade espanhola de Ceuta desde Marrocos, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início da manhã.

 

Pelo menos 19 pessoas morreram afogadas desde quinta-feira, 30 de julho, ao tentarem entrar na cidade espanhola de Ceuta desde Marrocos, com a situação nesta fronteira a continuar a ser tensa ao início da manhã.

Segundo fontes policiais espanholas, aumentou para 19 o número de corpos retirados do mar em Ceuta desde quinta-feira, quando milhares de pessoas avançaram para a fronteira desde o lado de Marrocos para passar ou tentar passar para o enclave espanhol a nado, a pé ou saltando a vedação que existe entre os dois territórios.

Meios de comunicação social espanhóis com jornalistas no local relataram que o dispositivo policial nos dois lados da fronteira naqueles momentos não conseguiu travar a avalanche de pessoas.

Como aconteceu durante a madrugada, esta sexta-feira de manhã continuavam a cruzar a fronteira "numerosas pessoas", escreve a agência Europa Press, e as ruas da cidade de Ceuta "amanheceram com centenas de jovens migrantes a dormir nas ruas enquanto continua a chegada irregular desde Marrocos", descreveu o jornal El Pais.

Segundo a agência de notícias EFE, o movimento na fronteira está, porém, a ser agora nos dois sentidos, com "centenas de migrantes" que entraram em Ceuta a começarem também, esta sexta-feira de manhã, "a regressar a Marrocos pelo mesmo ponto onde entraram", junto ao pontão fronteiriço na zona de El Tarajal.

"De forma paralela, continuam a entrar na cidade pequenos grupos de pessoas pelo mesmo local, cruzando-se no caminho com os que abandonam Ceuta em direção a Marrocos", segundo a EFE.

A mesma agência testemunhou, no lado de Marrocos, na cidade de Fnideq, "confrontos violentos" perto da fronteira com Ceuta envolvendo centenas de pessoas que tentavam cruzar para o lado espanhol.

"Grupos de pessoas tentaram forçar a vedação e lançavam pedras contra as forças de segurança mobilizadas para a zona", segundo a EFE.

Nem as autoridades de Espanha nem as de Marrocos avançaram números sobre a quantidade de pessoas que cruzou desde quinta-feira para Ceuta, embora vários meios de comunicação estejam a dar estimativas próprias de que referem pelo menos 20.000 e a considerarem que é a maior crise nesta fronteira desde 2021.

Em 2021, perto de 10.000 migrantes entraram em Ceuta em apenas dois dias, após uma alegada flexibilização dos controlos por Rabat, na sequência da hospitalização em Espanha do líder da Frente Polisário, o movimento que luta pela independência do território do Saara Ocidental, ocupado por Marrocos desde 1975.

No outro enclave espanhol no norte de África, a cidade de Melilla, centenas de pessoas tentaram também cruzar ilegalmente a fronteira desde Marrocos e as autoridades fecharam totalmente a passagem entre os dois territórios durante a madrugada.

Segundo a Rádio Nacional de Espanha (RNE), entre 300 e 400 pessoas conseguiram entrar em Melilla a nado na quinta-feira, mas a situação é agora calma.

Por outro lado, ficaram retidos em território espanhol cerca de 500 carros de imigrantes marroquinos na Europa, que estavam a regressar ao país para as férias de verão.

O Governo de Espanha anunciou na quinta-feira o envio de Forças Armadas para apoiar a Guarda Civil em Ceuta na "manutenção da segurança na cidade", assim como um reforço de meios das forças de segurança.

Segundo a agência Europa Press, o exército espanhol está já a colocar tanques no acesso à cidade, junto à fronteira com Marrocos, na zona de El Tarajal.

O primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o ministro do Interior, Fernando Grande‑Marlaska, vão também à cidade esta sexta-feira.

Por seu lado, as autoridades marroquinas endureceram os controlos para diminuir a pressão sobre a fronteira.

Os dois governos asseguraram na quinta-feira estar a haver boa cooperação bilateral nesta crise, que ambos atribuem a uma operação de redes de tráfico humano.

A Semana com Inforpress/Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 18 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
24 dias atrás 11 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
26 dias atrás 17 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...