sexta-feira, 16 outubro 2026

PAICV acusa MpD de querer envolver FMI na política interna e rejeita pedido de desculpas do primeiro-ministro

A líder parlamentar do PAICV (poder) acusou hoje o MpD de tentar envolver o FMI na política interna e considerou que não é o primeiro-ministro, mas a oposição, quem deve um pedido de desculpas aos cabo-verdianos.

 

Carla Lima falava à imprensa no final de um encontro de trabalho de uma delegação parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) com o representante residente do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Cabo Verde, Rodrigo García-Verdú.

O encontro teve por objectivo conhecer os programas em curso do FMI em Cabo Verde e o trabalho que a instituição tem vindo a desenvolver no país ao longo dos anos.

Instado a reagir sobre as declarações do líder do grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, oposição) que acusou o primeiro-ministro de querer transformar a credibilidade internacional do país em instrumento de luta política, exigindo que o mesmo “peça desculpas” aos cabo-verdianos, a responsável rejeitou estas declarações.

“Não há nada que possa levar o primeiro-ministro a pedir desculpas. O MpD resolveu utilizar, seja o comunicado do FMI, como uma reunião que gentilmente lhes foi concedida para falar do Estado da Nação para tentar envolver uma instituição internacional na política doméstica”, afirmou.

Segundo a presidente da bancada parlamentar do PAICV, o comunicado divulgado pelo FMI não desmente o chefe do Governo, limitando-se a esclarecer que a missão técnica realizada em Julho não tinha como finalidade avaliar a execução orçamental de 2026.

Carla Lima considerou "lamentável" essa postura, defendendo que o maior partido da oposição está a recorrer a "subterfúgios" por não conseguir responder às questões relacionadas com a alegada derrapagem orçamental.

"Não tendo resposta à derrapagem, o MpD procura agora envolver outros atores que devem estar acima deste debate, numa fuga em frente, em vez de explicar aquilo que deve explicar aos cabo-verdianos", declarou.

Reiterou ainda que os dados que sustentam a existência da derrapagem financeira constam dos documentos publicados pelo Ministério das Finanças, nomeadamente das contas trimestrais, pelo que, na sua perspectiva, cabe ao MpD esclarecer a gestão orçamental realizada nos primeiros meses do ano.

"Não há necessidade de um pedido de desculpas. Quem deve pedir desculpas ao Governo e, se calhar, também ao FMI, será o líder parlamentar do Movimento para a Democracia", afirmou.

Sobre a possibilidade de esta polémica comprometer as relações entre Cabo Verde e o FMI, a deputada acredita que não, justificando que existem programas em execução por mais de um ano e que o novo Governo mantém total disponibilidade para continuar a trabalhar com os parceiros internacionais.

Por sua vez, o representante residente do FMI, Rodrigo García-Verdú, reiterou que a instituição mantém o princípio de não comentar assuntos políticos internos e remeteu para o comunicado já divulgado sobre a missão técnica.

“Estamos prontos e disponíveis para trabalhar com o novo Governo para fazer do seu programa de Governo um sucesso", afirmou, acrescentando que a próxima missão do FMI ao país está prevista para Dezembro.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
10 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
12 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport