domingo, 18 outubro 2026

Língua cabo-verdiana mantém-se viva na diáspora através das novas gerações e tecnologias – IPC

A língua cabo-verdiana continua a afirmar-se na diáspora, através do interesse das novas gerações pelas suas raízes e do uso das tecnologias digitais, considerou  esta sexta-feira, na Praia, a directora do Património Imaterial do IPC.

 

Em declarações à Inforpress na abertura da mesa-redonda sobre “A língua cabo-verdiana na diáspora: expectativas e vivências”, a directora do Património Imaterial do Instituto do Património Cultural (IPC), Indira Semedo, considerou que a realidade linguística das comunidades cabo-verdianas no estrangeiro é heterogénea, com as gerações mais recentes a dominarem, por vezes, mais a língua do país de acolhimento.

“As redes sociais, as tecnologias e os aplicativos de aprendizagem são instrumentos que facilitam o acesso ao crioulo, inclusive por pessoas sem origem cabo-verdiana, mas interessadas na língua e na cultura do país”, sustentou.

Segundo Indira Semedo, apesar de nem sempre aprenderem crioulo em casa, muitos jovens procuram conhecer o legado linguístico dos avós e bisavós.

“Então se percebe que há toda uma apropriação dessa geração mais nova do uso do crioulo, tanto a nível nacional como a nível da diáspora”, reforçou.

A directora do Património Imaterial do IPC destacou ainda o ensino da língua cabo-verdiana em países como Portugal e Estados Unidos, considerando-o uma conquista para o reconhecimento da identidade das comunidades nos países de acolhimento.

“Não é só um processo de ensino, é reconhecer que existe uma língua que é falada por um grupo”, sublinhou Indira Semedo que manifestou confiança no futuro da língua.

A mesa-redonda reúne investigadores com experiência junto das comunidades cabo-verdianas nos Estados Unidos e em Portugal, nomeadamente Manuel Lopes, ligado ao trabalho com emigrantes nos Estados Unidos, e a professora Ana Josefa, que desenvolve actividades de ensino junto da comunidade cabo-verdiana em Portugal.

Segundo Indira Semedo, o encontro procura ir além de uma discussão estritamente linguística, porque quer privilegiar as experiências e vivências dos falantes e a forma como estes mantêm a relação com a língua e a identidade cabo-verdianas.

A presidente do IPC, Ana Samira Silva, por seu lado, presidiu a abertura da mesa redonda, uma iniciativa enquadrada nas comemorações do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, celebrado a 18 de Outubro, este ano sob o lema “Cultura, memória e comunidades: construindo pontes para o futuro”.

Com actividades em várias ilhas do arquipélago e na diáspora promovida pelo Governo, através do Ministério da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto, as comemorações envolvem instituições, associações e promotores culturais.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
10 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
12 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
14 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport