O primeiro-ministro de Portugal acusou hoje os Estados Unidos de incoerência ao fazerem um acordo sobre o gasóleo com a Rússia e afirmou que não vai ter “nenhuma consequência positiva” a nível de preços ou da guerra na Ucrânia.
Na visão do primeiro-ministro, o acordo com a Rússia “não vai resolver o problema do preço dos combustíveis”.
Luís Montenegro considerou o acordo entre o presidente norte-americano, Donald Trump, e o homólogo russo, Vladimir Putin, incoerente e inconsequente.
“Aquilo que foi anunciado pelos Estados Unidos, do nosso ponto de vista não corresponde a um exercício consequente e coerente da resolução desta matéria”, afirmou o chefe do Governo em Bruxelas, à margem de uma cimeira para debater a subida dos preços da energia.
Donald Trump anunciou na semana passada que a Rússia aceitou fornecer 300 mil toneladas de diesel aos EUA e aos mercados internacionais, assim como quantidades superiores até ao final do ano.
Na visão do primeiro-ministro, o acordo com a Rússia “não vai resolver o problema do preço dos combustíveis”.
“Não resolve o assunto por mais de escassos dias e, portanto, não é consequente”, insistiu, acrescentando que “não é uma resolução do problema que temos diante de nós”.
“E também não é coerente, porque dá um sinal errado relativamente ao apoio da agressão da Rússia face à Ucrânia”, alertou.
O primeiro-ministro disse ainda que tem feito apelos de viva voz no seio das organizações nas quais Portugal se encontra no sentido de “uma intervenção que seja, do ponto de vista diplomático, eficaz para suster este aumento do preço dos combustíveis que é absurdo, é insensato”.
“Atinge todos, estamos todos a sofrer”, disse aos jornalistas. E “esta novidade não traz nenhuma consequência positiva”, acrescentou, referindo-se ao acordo entre Trump e Putin.
Luís Montenegro frisou que “o Governo português tem vindo a estabelecer diálogo com os seus parceiros da União Europeia e também com os seus aliados, como é o caso dos Estados Unidos” no sentido de colocar como prioridade “a resolução diplomática do conflito no Médio Oriente”.
Isso que permitirá “estabilizar o mercado do petróleo a nível internacional”, defendeu.
Questionado sobre medidas concretas que espera que saiam desta cimeira em Bruxelas, o primeiro-ministro declarou que “este Conselho pode densificar a discussão de como é que nós, do ponto de vista económico, podemos defender o nosso mercado interno, uniformizando a resposta e conciliando-a também do ponto de vista financeiro”.
É também necessária “uma abordagem estratégica”, e aí “Portugal é muito claro”: a Europa “não pode ter dúvidas quanto ao caminho de autonomização, da sua área energética, nomeadamente fazendo depender as suas economias cada vez menos dos combustíveis fósseis e cada vez mais das energias renováveis”, defendeu.
A Semana com Inforpress/Lusa

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