quinta-feira, 15 outubro 2026

IPC promove "Escola de Campo" a nível africano com profissionais de arqueologia subaquática de oito países

Esta capacitação, coordenada pela Unesco, envolve mergulhadores "experts" do Senegal (quatro profissionais), Gâmbia, Moçambique, Eritreia, Comores, Marrocos e Cabo Verde, e vai decorrer até ao dia 14 numa componente prática.

Os participantes já iniciaram esta manhã o mergulho para levantamento no ancoradouro da Cidade Velha, ao qual se segue no ilhéu de Santa Maria, onde se encontra uma fragata naufragada em 1809 com a missão de proceder ao registo e o mapeamento destes sítios e complementam-se com uma visita de estudo ao Museu de Arqueologia da Praia.

À Inforpress, a presidente do IPC, Samira Baessa, revelou que esta acção de formação surge no quadro dos projectos de implementação da convenção de 2001 que Cabo Verde é parte desde 2008, e que afigura-se como uma “Escola de Campo que junta profissionais de arqueologia subaquática de oito países.

“São profissionais que trabalham sobre esta matéria nos seus países e que vêm aqui em contexto da formação, orientados por especialistas para poderem aprofundar os seus conhecimentos e partilhar aquilo que tem sido os desafios desta protecção do património subaquático a nível internacional”, explicou Baessa.

Esta formação vem na sequência de outras actividades científicas, explicitou, ressaltando que Cabo Verde tem estado a beneficiar destas iniciativas no quadro do “Projecto Concha” e do “Projecto Mergulhar”, em que o arquipélago a partir de 2017 “passou a ter uma abordagem diferente em relação ao património subaquático”. 

Disse que contrariamente à perspectiva implementada a partir dos anos 90 em que foram feitas várias actividades arqueológicas massivas com a extracção dos artefactos de forma “pouco ética em relacção aos princípios da Convenção”, “prática já abortada”, Cabo Verde, pretende agora trabalhar com instituição credíveis para reforçar as capacidades internas. 

Com esta nova metodologia, na qual o país conta com parcerias de instituições como a Unesco e a Universidade Nova de Lisboa, o arquipélago “deixou de ter contratos de exploração de arqueologias subaquáticas”, visando reforçar a sua capacidade interna para que os profissionais cabo-verdianos possam estar verdadeiramente capacitados para estes desafios de proteger, valorizar e combater os sítios e a espoliação destes bens.

Esta formação foi considerada muito essencial não só para Cabo Verde mas também para toda a África pelo representante da Universidade Nova de Lisboa, o professor José Bettencourt, que realçou o facto do continente deixar de investir nos “experts” da área de continentes outros para tirar proveito da experiência dos seus filhos.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
9 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
11 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport