quinta-feira, 15 outubro 2026

Programa lançado por Macau, Portugal e Cabo Verde recebe 60 filmes e vídeos de dança

Mary Wong, curadora do Rollout Dance Film Festival de Macau, revelou que o Saracoteio – Dança no Ecrã recebeu obras de Portugal, Brasil, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e da região chinesa.

"Alguns artistas destes locais até trabalharam em conjunto para apresentar obras de colaboração", sublinhou a bailarina, que tem nacionalidade portuguesa.

"O processo de seleção terá início em breve. Esperamos ter os resultados até ao final de maio", acrescentou Wong, que nasceu em Macau antes da transição de administração para a China.

A convocatória para o Saracoteio esteve aberta até 30 de abril a obras de autores ou produtores "naturais ou residentes em países ou regiões de língua oficial portuguesa".

A iniciativa é do Rollout, em parceria com a 34.ª Quinzena de Dança de Almada e o Festival Uabá de Cabo Verde.

As obras selecionadas irão integrar os três festivais, a começar pelo Uabá, na ilha de Santiago, entre 21 e 25 de setembro, logo seguido por Almada, de 25 de setembro a 11 de outubro, com o Rollout de Macau previsto para dezembro.

Em declarações à Lusa em abril, Mary Wong sublinhou ­que, mais do que uma parceria pontual, o objetivo do Saracoteio passa por estreitar laços entre artistas de diferentes paragens.

No início de outubro, bailarinos de Macau irão a Portugal apresentar quatro obras. No início de dezembro, será a vez da Quinzena de Dança de Almada levar trabalhos de dança à região chinesa.

As autoridades chinesas "estão a promover esta forte ligação entre os países lusófonos e a China, através de Macau, claro. Acho que essa é a grande narrativa", afirmou Wong.

Pequim criou em 2003, em Macau, o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau), que também promove intercâmbios culturais.

O Fórum de Macau organiza anualmente uma Semana Cultural, que em 2025 que se estendeu pela primeira vez à China continental.

Mas Wong acredita que, na esfera da cultura, é mais importante criar "fortes ligações" entre artistas do que esperar por políticas governamentais.

A bailarina sente também "um laço emocional" com Portugal.

Wong esteve três meses em Lisboa para um programa de intercâmbio de dança, em 2014. Três anos depois, começou um mestrado em Estudos de Cultura na Universidade Católica.

"A cultura é muito diferente. As oportunidades de financiamento são muito mais fáceis aqui. E isso permite-nos fazer este tipo de intercâmbios internacionais com melhores recursos", diz a bailarina.

Por outro lado, "precisamos de mais diversidade nas nossas criações artísticas", defendeu Wong. "E isso será melhorado se tivermos uma perspetiva diferente, do ecossistema ocidental", acrescentou.

A Semana com Inforpress/Lusa

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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joão do rosário
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