quinta-feira, 15 outubro 2026

Coordenadora da ONU diz que uma boa governação digital exige políticas públicas baseadas em evidências

Patrícia Portela falava na 6.ª edição do Fórum de Governação da Internet de Cabo Verde (IGF-CV), que exige a inclusão activa de mulheres, jovens, pessoas com deficiência,  bem como uma cooperação estreita entre governo, município, sector privado, academia e toda a sociedade. 

A responsável alertou, por outro lado, que governar o digital implica igualmente enfrentar os riscos, como a desinformação e a manipulação de conteúdos, tornando-se ameaças sistêmicas à democracia, à saúde pública e à coesão social.

“O uso das chamadas ‘deepfakes’ e de conteúdos gerados artificialmente pode enganar, difamar ou até silenciar o que mina a confiança nas pessoas e nos sistemas digitais e, sobretudo, os próprios factos”, completou.

Patrícia Portela sublinhou que estas tecnologias deixaram de ser temas do futuro, passando a influenciar directamente áreas como economia, serviços públicos, educação, saúde e até a geopolítica.

Considerou que a forma como o digital é governado actualmente será determinante para o sucesso ou fracasso do desenvolvimento sustentável, destacando que a transformação digital pode acelerar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, desde que seja segura, inclusiva e baseada nos direitos humanos.

Segundo explicou, em Cabo Verde, a transformação digital foi definida como um dos três pilares de aceleração do desenvolvimento sustentável pelas Nações Unidas, ao lado da economia azul e do desenvolvimento local, já com impactos na inclusão económica, modernização dos serviços públicos e reforço da transparência.

Contudo, alertou que, sem uma governação adequada, o digital pode aprofundar desigualdades e excluir os grupos mais vulneráveis, defendendo que a governação da internet deve ser encarada como uma questão de direitos humanos e justiça social.

A responsável apontou riscos associados ao uso da inteligência artificial, nomeadamente quando algoritmos reproduzem preconceitos e desigualdades, afectando áreas como o acesso ao crédito, emprego, saúde e justiça, com impacto particular sobre mulheres, jovens, populações rurais e pessoas com deficiência.

O evento, promovido pela Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME), continua na terça-feira, 22, com uma sessão de mentoria dedicada a meninas e jovens mulheres, em parceria com a SheTech e a Women in Tech.

O programa envolve estudantes de diferentes liceus da cidade da Praia, iniciativa insere-se na celebração do Dia Internacional das Meninas nas TIC, assinalado este ano, mundialmente, a 23 de Abril.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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joão do rosário
12 dias atrás

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