quinta-feira, 15 outubro 2026

Livro sobre batuku evidencia transformações sociais e artísticas do género na última década – autora

Segundo a autora, a jornalista e investigadora Gláucia Nogueira, a obra analisa a consolidação do batuku como género nacional, deixando de ser visto como uma expressão regional e reforçando a sua presença em diversos espaços culturais, académicos e mediáticos.

Contactada pela Inforpress, a investigadora afirmou que o período recente foi marcado por uma maior visibilidade do batuku, pelo surgimento de novos grupos e pela redefinição de papéis nas formações tradicionais, destacando-se novas protagonistas que recorrem a ferramentas contemporâneas de comunicação e imagem, afirmando-se simultaneamente como intérpretes e compositoras.

O estudo aponta ainda a crescente participação masculina nas rodas de batuku, fenómeno que, embora com antecedentes históricos pontuais, ganhou maior expressão na última década, conforme a mesma fonte, refletindo transformações sociais e a flexibilização de normas de género na sociedade cabo-verdiana.

Outro aspecto evidenciado é a evolução musical do género, com a introdução de novos instrumentos, como o djembé, e a fusão com outras expressões como o funaná, além da incorporação de elementos instrumentais de cordas e teclas em algumas formações contemporâneas.

Conorme a mesma fonte, a obra também analisa a projecção internacional do batuku após a sua inclusão na música “Batuka”, da artista norte-americana Madonna, no álbum “Madame X” (2019), episódio que gerou intenso debate em Cabo Verde sobre visibilidade cultural e apropriação de patrimônio imaterial.

Durante a investigação, contou a autora, a discussão dividiu opiniões entre os que valorizam a projeção global do género e os que criticam a apropriação de elementos culturais tradicionais por artistas internacionais.

A autora contextualiza ainda o fenómeno com exemplos de outras interações globais entre música popular e expressões tradicionais, sublinhando que a visibilidade internacional, embora relevante, não constitui o fator central da transformação do batuku.

Na sua análise, o principal marco do período é a consolidação do batuku como género nacional “plenamente integrado no panorama musical cabo-verdiano”, com presença em repertórios de artistas diversos e crescente circulação em espaços institucionais, incluindo museus e universidades.

O estudo, prossegue a Inforpress, refere igualmente a institucionalização do Dia Nacional do Batuku, celebrado a 31 de Julho, por decisão da Assembleia Nacional, em 2021, coincidindo com o Dia da Mulher Africana, como reconhecimento formal da importância cultural do género.

A investigação conclui que o género batuku mantém um percurso dinâmico, caracterizado por novas gerações de intérpretes, reconfiguração estética e expansão de espaços de actuação, processo que, segundo a autora, continua em evolução e pode ser acompanhado também através de plataformas digitais e projetos de arquivo cultural.

 

 

 

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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joão do rosário
11 dias atrás

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