quinta-feira, 15 outubro 2026

Hospital Agostinho Neto quer reduzir em 60% evacuações médicas para o exterior com cirurgias de próteses no país

A informação foi avançada hoje pelo director do serviço de Ortopedia do HUAN, Mortala Keita, à margem da cerimónia de acolhimento da missão de ortotraumatologia, sublinhando que este é um "passo decisivo" para a autonomia do serviço.

Segundo o responsável, actualmente o país já realiza a maioria dos procedimentos ortopédicos, sendo as transferências para fora do território nacional reservadas quase exclusivamente para casos tumorais e cirurgias de prótese da anca e joelho.

“Pensamos conseguir iniciar esse processo de tratamento cirúrgico aqui no país e reduzir drasticamente as evacuações. O nosso serviço poderá diminuir cerca de 60 por cento (%) das evacuações para o exterior”, indicou Mortala Keita, estimando que o hospital tem capacidade para realizar entre 60 a 70 cirurgias deste tipo anualmente, caso existam condições logísticas.

O director explicou que, embora o HUAN já disponha de uma equipa com capacidade técnica, a sustentabilidade do projecto depende de reforço na formação contínua e na logística de materiais específicos.

Neste âmbito, revelou que um médico cabo-verdiano encontra-se em Aveiro, Portugal, a aprimorar técnicas de artroplastia, prevendo-se a capacitação de mais profissionais.

Por sua vez, a fundadora e presidente da Associação UniCap, Elcia Ramos, que é filha de cabo-verdianos e nascida na Suíça, explicou que esta missão humanitária na área da ortotraumatologia visa colaborar com o Ministério da Saúde não apenas nas cirurgias, mas também no acompanhamento pré e pós-operatório.

“Esta é a primeira missão humanitária da UniCap na área da ortotraumatologia em Cabo Verde, sendo que o volume e a duração das próximas acções dependerão da avaliação dos resultados desta intervenção inicial e da articulação institucional entre as partes envolvidas”, realçou.

A responsável explicou ainda que a duração da missão dependerá do número de intervenções realizadas e das condições logísticas disponíveis, nomeadamente salas operatórias e materiais adequados.

“Uma operação de prótese do joelho pode levar uma a duas horas, dependendo do caso. É uma cirurgia que exige muito material e vários tamanhos de implantes. Mesmo quando programamos um tamanho, é preciso ter disponíveis outros números inferiores e superiores para garantir segurança”, esclareceu.

Adiantou que a meta da associação é realizar cerca de 50 próteses de joelho ao longo de 2026, dependendo da disponibilidade dos blocos operatórios, manifestando expectativa de que a parceria seja duradoura e baseada numa colaboração mútua.

A missão da UniCap integra ortopedistas e outros profissionais de saúde radicados na Suíça, incluindo médicos cabo-verdianos na diáspora, e utiliza implantes fornecidos por parceiros suíços, exigindo uma logística complexa devido à diversidade de tamanhos e materiais necessários para cada intervenção.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Efrem Soares
Efrem Soares
06 Oct. 2026
Cabo Verde: liderança, mérito e prestação de...
  Ao fazer uma reflexão retrospetiva sobre os percursos de...
Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
10 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
12 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport