quarta-feira, 14 outubro 2026

Jorge Carlos Fonseca destaca papel dos média no combate à manipulação e distorção nas redes sociais

Jorge Carlos Fonseca, que falava à Inforpress sobre a sua participação na missão de avaliação pré-eleitoral no Benim, que decorreu de 16 a 21 deste mês, sublinhou que os cabo-verdianos saberão ouvir os diferentes intervenientes políticos e escolher a opção que considerarem mais adequada para o futuro do país.

Questionado sobre o período pré-eleitoral, afirmou que tem acompanhado o processo com atenção, embora não disponha de elementos concretos sobre o recenseamento eleitoral.

Ainda assim, apelou a todos os cidadãos, tanto no país como na diáspora, para que procedam ao recenseamento eleitoral, reforçando a importância da participação cívica.

Para o antigo chefe de Estado, os órgãos de comunicação social têm um papel central neste processo, enquanto intermediários das mensagens transmitidas pelos partidos e actores políticos.

“Mas cabe aos jornalistas um combate pela democracia, um combate à manipulação, à distorção que, por exemplo, proliferam nas redes sociais. Nós vivemos também em Cabo Verde uma época de proliferação da mentira, em que é relativizada a verdade dos factos, há a distorção completa dos factos, narrativas completamente falsas e, portanto, cabe ao jornalismo, aos média, fazer essa regulação”, apontou.

Entretanto, reconheceu que o combate jurídico a este tipo de práticas enfrenta ainda desafios e a necessidade de instrumentos legais adequados.

“Não é um trabalho fácil de fazer, porque as redes sociais são uma espécie de vagas sucessivas e pouco controladas (…). Mesmo do ponto de vista criminal, quando veiculam informações que consubstanciam matéria criminal, o nosso aparelho jurídico não está ainda dotado dos instrumentos de investigação e de combate, digamos, a essa realidade nova que é a realidade das redes sociais”, precisou.

No seu entender, o fundamental não é apenas o aparelho criminal, mas sim a pedagogia, o combate ético, fazer vincar a ética republicana e os valores da democracia.

Para Jorge Carlos Fonseca, o combate à falsidade deve ser feito, acima de tudo, com verdade, responsabilidade e exemplos de boas práticas democráticas.

“O que quer dizer que essas eleições, em Cabo Verde, vão decorrer num ambiente internacional, regional, africano e também local em que a afirmação da democracia e o combate à erosão da democracia devem estar sempre presentes”, referiu.

Apontou que, em vários países da sub-região, tem-se registado um recuo das forças democráticas, golpes de Estado, o surgimento de regimes militares e discursos que procuram apresentar soluções autoritárias como alternativas eficazes para o desenvolvimento e a estabilidade.

“Digamos que há uma espécie de perfume envenenado (…) em alguns sectores ingénuos, que às vezes são até estimulados por alguns intelectuais cabo-verdianos, incluindo escritores, que fazem uma espécie de culto sedutor de chefes militares, de coronéis, de generais. Já vi, por exemplo, em Cabo Verde, nas redes sociais, elogios a golpistas aqui na região”, sublinhou.

Na sua perspetiva, a história recente demonstra que regimes autoritários não garantem, por si só, paz nem progresso sustentável, reconhecendo que a democracia não resolve automaticamente todos os problemas, mas continua a ser o melhor caminho para assegurar desenvolvimento, progresso económico e social.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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8 dias atrás

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