quarta-feira, 14 outubro 2026

Antigo ministro Peter Mandelson libertado sob caução em Londres

Peter Mandelson, figura central da vida política britânica e ex-embaixador do Reino Unido em Washington, foi detido por volta das 17:00 TMG de segunda-feira, por suspeitas de violação de deveres no exercício das suas funções públicas, na sequência de alegações relacionadas com a última série de documentos associados a Epstein.

“Um homem de 72 anos, detido por suspeita de negligência no exercício das suas funções públicas, foi libertado sob fiança enquanto se aguarda o prosseguimento da investigação”, informou hoje a polícia de Londres, num comunicado divulgado de madrugada, com a agência Presse Association a precisar que se trata de Lord Mandelson.

A BBC e a Sky News mostraram no domingo imagens de Peter Mandelson a sair da sua casa no centro de Londres, acompanhado por dois polícias à paisana, um homem e uma mulher, que o escoltaram até um carro não identificado.

A prisão daquele que foi um pilar do Partido Trabalhista e artífice do New Labour com Tony Blair ocorre após a detenção, na quinta-feira, do ex-príncipe Andrew, outra personalidade britânica envolvida no caso tentacular Epstein.

O irmão mais novo do rei Carlos III também é suspeito de ter transmitido informações ao criminoso pedófilo norte-americano, quando era representante especial do Reino Unido para o Comércio, de 2001 a 2011. Andrew foi libertado após mais de 10 horas de detenção na quinta-feira.

A polícia londrina informou, em 03 de Fevereiro, que havia aberto uma investigação contra Mandelson, e em 06 de Fevereiro informou ter revistado duas residências de Mandelson, uma perto de Regent’s Park, em Londres, e outra em Wiltshire (sudoeste de Inglaterra).

Documentos retirados dos arquivos de Epstein, tornados públicos no final de Janeiro pelo Departamento de Justiça norte-americano, sugerem que Mandelson terá transmitido ao financeiro norte-americano informações susceptíveis de influenciar os mercados, especialmente quando era ministro no governo trabalhista de Gordon Brown, entre 2008 e 2010.

Os documentos também incluem registos de transferências de cerca de 75 mil dólares (64 mil euros), entre 2003 e 2004, de contas associadas a Epstein para contas ligadas a Mandelson ou ao marido, Reinaldo Ávila da Silva. 

O antigo político questionou a autenticidade dos extractos e, ao desassociar-se do Partido Trabalhista, afirmou não se lembrar de ter recebido tais valores e negou ter cometido qualquer irregularidade.

Em Setembro de 2025, Mandelson foi demitido de embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, depois de surgirem provas de que manteve contacto com Epstein após a condenação do financeiro, encontrado morto numa cela prisional em Agosto de 2019, onde quando aguardava julgamento por novas acusações de tráfico sexual. 

Todas estas acusações enfraqueceram o Governo trabalhista britânico de Keir Starmer, acusado de ter nomeado Peter Mandelson embaixador em Washington no final de 2024, mesmo sabendo que o ex-ministro e ex-comissário europeu tinha mantido a proximidade com Epstein, mesmo depois de ser condenado por crimes sexuais.

Starmer, que retirou Mandelson dos Estados Unidos em Setembro de 2025, após novas informações que o ligavam a Jeffrey Epstein, pediu desculpas, especialmente às vítimas, e o seu chefe de gabinete e director de comunicação demitiram-se.

O governo britânico comprometeu-se a publicar todos os documentos relacionados com a nomeação e destituição de Mandelson. Uma primeira parte deverá ser publicada no início de Março, informou um membro do governo na segunda-feira.

Segundo a BBC, trata-se de mais de 100.000 documentos, incluindo trocas de e-mails entre o ex-embaixador e membros do executivo. Parte desses documentos são potencialmente sensíveis para a segurança nacional do país, pelo que estão a ser filtrados por uma comissão parlamentar, que tem liberdade para decidir se os torna públicos ou não.

A Semana com Inforpress/Agências

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Comentários

joão do rosário
7 dias atrás

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jcf
8 dias atrás

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joão do rosário
11 dias atrás

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