quinta-feira, 15 outubro 2026

Posição do Governo sobre Venezuela é contrária à tradição diplomática cabo-verdiana – UCID

De acordo com uma nota interna da UCID, a que a Inforpress teve acesso, o partido considerou que, ao classificar implicitamente a situação venezuelana como resultado de “regimes autoritários”, o Governo assume um juízo político condenatório, sem qualquer mandado internacional legítimo, sem respaldo em resoluções vinculativas das Nações Unidas e à margem do princípio da neutralidade soberana.

“Trata-se de uma leitura política alinhada com determinados centros de poder internacionais, e não de uma avaliação jurídica ou consensual multilateral”, escreveu o partido.

A UCID considerou, igualmente grave o facto de o Governo ter “omitido de forma deliberada”, “factores estruturais e externos amplamente documentados, nomeadamente as sanções económicas unilaterais, os bloqueios financeiros e as múltiplas formas de ingerência política estrangeira, que têm contribuído de forma decisiva para o agravamento da crise económica e social na Venezuela”.

Conforme o partido, ao silenciar esses elementos, “o comunicado constrói uma narrativa enviesada, politicamente conveniente e intelectualmente desonesta, que transfere integralmente a responsabilidade pela crise às autoridades venezuelanas”.

Para a UCID, é ainda inaceitável a referência à “construção de uma Venezuela democrática” segundo parâmetros implícitos definidos externamente, o que configura uma violação conceptual dos princípios da autodeterminação dos povos e da não ingerência nos assuntos internos dos Estados.

“A democracia não é um instrumento de pressão política nem um conceito a ser imposto de forma selectiva, conforme interesses geopolíticos conjunturais”, adiantou o partido.

A organização partidária acrescentou, ainda, que “a invocada solidariedade” com o povo venezuelano por parte do Governo “assume um carácter meramente retórico e contraditório”, uma vez que o executivo se absteve de condenar “medidas coercivas externas” que penalizam directamente a população civil.

“Tal postura revela uma solidariedade selectiva, condicionada e politicamente instrumentalizada. Em termos políticos, o comunicado representa um grave desvio da tradição histórica da política externa cabo-verdiana, caracterizada pela prudência, pela neutralidade activa e pelo respeito escrupuloso à soberania dos Estados”, acrescentou.

Para a UCID, ao alinhar-se com a agenda e os interesses dos Estados Unidos da América e dos seus aliados, o Governo abdica da autonomia estratégica do Estado cabo-verdiano e fragiliza a sua credibilidade como actor independente no sistema internacional.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
8 dias atrás

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jcf
9 dias atrás

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joão do rosário
11 dias atrás

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