segunda-feira, 28 setembro 2026

E Economia

Ilha da Boavista espera "boom" turístico para o qual não está preparada

A ilha da Boavista vai duplicar a sua capacidade hoteleira nos próximos quatro anos. São 200 milhões de euros de investimentos e seis mil novos empregos, que irão surgir, um crescimento, para o qual, a ilha não está preparada, admitem as autoridades.

Com extensos quilómetros de praias de águas límpidas e areias douradas, a ilha das dunas é o segundo maior destino de visitantes do arquipélago de Cabo Verde, a seguir ao Sal, e a nova "galinha dos ovos de ouro" do turismo para o País, cita a Agência de Notícias “Lusa”.

A ilha, que concentra já meia dúzia de grandes "resorts" na modalidade de turismo "tudo incluído", receberá nos próximos anos mais quatro grandes empreendimentos turísticos, segundo disse à agência Lusa o presidente da Sociedade de Desenvolvimento Turístico das Ilhas da Boavista e Maio (SDTIBM), Luís Silva.

Dois desses empreendimentos estão já em fase de construção e, ainda este ano, deverão arrancar mais dois, segundo o responsável, investimentos que rondam os 200 milhões de euros, irão duplicar a capacidade hoteleira nos próximos quatro anos e criar entre cinco e seis mil postos de trabalho.

Um crescimento que irá aumentar a pressão sobre uma ilha que, segundo o presidente da Câmara José Luís Santos, tem um défice de 2.000 habitações, não "tem um palmo de esgotos", sistema de tratamento de lixo ou respostas em matéria de saúde.

De referir que a ilha abriga também um dos maiores bairros de barracas (Boa Esperança) do País, onde se concentram mais de dois terços dos habitantes e a maioria dos trabalhadores do setor turístico.

Em entrevista â Agência “Lusa”, o edil defende que por este motivo, será necessário responsabilizar os promotores dos novos investimentos hoteleiros, impondo como condição para aprovação dos projectos a construção de casas para os trabalhadores. "Caso contrário, daqui a poucos anos, vamos ter uma ilha completamente cheia de barracas. Aliás, o desenvolvimento da Boavista implica um investimento público que acompanhe minimamente o do privado e isso não tem acontecido, tendo colocado grandes desafios à ilha", acrescentou.

Por seu turno, o presidente da SDTIBM receia que uma medida desta natureza implique a perda de competitividade na atração de investimentos. Para Luís Silva, compete às autoridades públicas encontrar soluções para os problemas habitacionais, ainda que em parceria com os investidores privados.

"Se colocarmos entraves, os investidores vão para outro sítio. Temos de ter respostas de acordo com os investimentos, mas não podemos utilizar isso como uma condição porque senão podemos ficar sem investimento", salientou, Silva, reconhecendo, contudo, que o modelo de desenvolvimento turístico adoptado na ilha não tem tido o impacto desejado nas comunidades.

Mesmo sentimento tem José Luís Santos, que realça que a ilha não tem tirado o devido proveito do fluxo turístico. "Temos de investir a vários níveis para que esta ilha possa ser, de facto, a galinha dos ovos de ouro, um destino turístico de excelência. Não podemos continuar a vender a ilha da Boavista no estado em que se encontra actualmente", refere o autarca.

Os dois responsáveis entendem que este é também o momento de Cabo Verde reduzir as isenções para os promotores hoteleiros que investem no País, para que haja melhor do desenvolvimento turístico em todo o território nacional.

Recorde-se que em 2017, a ilha da Boavista recebeu 28% dos mais de 700 mil turistas que visitaram Cabo Verde e concentrou 36% dos 4,5 milhões de dormidas. “A ilha foi o destino de 31% dos portugueses que visitaram as ilhas sendo Boavista, a que representa 27,6% da capacidade de alojamento turístico e concentra quase 22% dos cerca de 9.000 trabalhadores hoteleiros cabo-verdianos.

De acordo com os dados estatísticos, a ilha da Boavista tinha, em 2016, uma população de 15.534 habitantes e uma taxa de desemprego de 7,9%, quase metade da média nacional.

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 2 horas atrás

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jcf
23 dias atrás 19 horas atrás

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joão do rosário
26 dias atrás 1 horas atrás

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