A cidade de São Filipe acolhe hoje a exibição do filme “Morada di Sodadi”, de Nuno Boaventura Miranda, produzido por Pedro Soulé, numa iniciativa de valorização do cinema, da cultura e da identidade cabo-verdiana.
A sessão está marcada para a tarde de hoje nas instalações da Casa das Bandeiras, e resulta de uma parceria entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros e das Comunidades, a ONU Migração – Fundo de Desenvolvimento da Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Câmara Municipal de São Filipe.
Segundo a Inforpress, a iniciativa integra a programação nacional e pretende proporcionar ao público uma oportunidade de celebrar a criação artística nacional e reflectir sobre a memória colectiva cabo-verdiana.
A exibição enquadra-se nos esforços de promoção da cultura e da identidade nacional, utilizando o cinema como instrumento de expressão artística e de aproximação às vivências e à história da sociedade cabo-verdiana.
A ONU Migração - Fundo de Desenvolvimento da OIM e a Câmara Municipal de São Filipe convidam os munícipes a participar na sessão, que pretende valorizar a produção cinematográfica nacional e reforçar o reconhecimento da riqueza cultural do país.
Imigrantes a residir na ilha do Sal partilharam hoje com a Inforpress as suas experiências de integração no arquipélago, enaltecendo a hospitalidade do povo cabo-verdiano, mas apontando entraves no acesso à habitação, na regularização documental e na burocracia.
Por ocasião do Dia Nacional das Comunidades, que hoje se assinala, Malang Gitteh, cidadão estrangeiro a trabalhar na empresa de excursões Spot Travel Tour, descreve a sua vivência no país como amplamente positiva, destacando o ambiente laboral e a forma afável como foi recebido.
“Aqui é muito bom. O meu chefe e as pessoas com quem convivo são muito amigáveis e fantásticas. Não há problemas, não há 'stress', está tudo bem”, afirmou o profissional do sector do turismo, salientando que a sua actividade profissional em Cabo Verde é idêntica à que exercia no seu país de origem.
Gitteh referiu ainda que a única barreira inicial foi a língua, superada rapidamente pelo calor humano do povo.
“Estou muito feliz e grato. Cabo Verde é um dos melhores lugares e dos melhores países onde já estive”, declarou.
Numa perspectiva igualmente positiva, mas marcada por reparos aos desafios do quotidiano, Tony Mendy, promotor de excursões na empresa Olá Tours, relata a sua trajectória de dois anos e meio no arquipélago, onde garante sentir-se “quase local”, apesar de ter chegado sem conhecer ninguém.
Mendy ressalva que, a par da boa acolhida e das amizades consolidadas, enfrentou “três grandes obstáculos”: o acesso à habitação, o processo de obtenção do título de residência e episódios pontuais de xenofobia.
“O acesso à casa é extremamente desafiante. Cheguei a concluir que é mais fácil arranjar trabalho do que conseguir uma casa para morar no Sal”, salientou, expressando o desejo de que as autoridades governamentais possam encontrar soluções para a crise habitacional.
Sobre a morosidade nos processos de documentação, Tony Mendy revelou que o seu primeiro pedido de autorização de residência demorou cerca de um ano e meio a ser deferido, considerando o período de validade de dois anos “demasiado curto” face ao tempo e esforço despendidos na recolha de documentos.
“É um processo cansativo e frustrante. Acredito que as autoridades deveriam aumentar a duração da residência inicial para pelo menos quatro anos”, defendeu.
O profissional manifestou ainda preocupação com episódios pontuais de intolerância e desrespeito motivados pela nacionalidade ou religião, classificando o preconceito como “inaceitável”, embora reconheça que “são situações que infelizmente acontecem em qualquer parte do mundo”.
Apesar dos percalços, Mendy fez questão de sublinhar que guarda um profundo afecto pelas ilhas.
Por sua vez, o empresário italiano Gabriele Punzo, a residir no país há cerca de uma década, considera-se totalmente integrado na sociedade cabo-verdiana, país que adoptou como a sua própria terra e onde tem investido no sector da comunicação social.
Sócio-gerente da empresa de publicidade Cabo Media e do projecto Rádio TV Sal One, Punzo enfatizou o sentimento de pertença, mas lamentou os constrangimentos administrativos que condicionam o ambiente de negócios e o crescimento económico no arquipélago.
Segundo o empresário, a excessiva burocracia estatal constitui o principal entrave para quem pretende fixar-se e desenvolver iniciativas empresariais e pessoais no país.
O Dia Nacional das Comunidades é assinalado a 18 de Outubro, data que coincide com o nascimento do poeta B.Léza, constituindo um momento de reflexão sobre a diáspora cabo-verdiana espalhada pelo mundo e sobre o papel da comunidade imigrante residente no processo de desenvolvimento do país.
O processo de tradução da Bíblia para crioulo cabo-verdiano entrou na fase de preparação técnica e uniformização linguística e procura conciliar a fidelidade às línguas originais da Bíblia com a diversidade de variantes do crioulo falado nas ilhas.
Em declarações à Inforpress, no âmbito de um seminário que terminou esta semana na cidade da Praia, padre Ricardo Monteiro, membro da comissão de tradução, afirmou que desde Janeiro deste ano foram desenvolvidos instrumentos considerados essenciais para esta etapa.
“O projecto está andando muito bem, graças a Deus. E este ano praticamente efetivamos o processo e estamos a avançar neste caminho. Tínhamos o projeto feito, mas agora já podemos dizer que temos um vocabulário, uma lista de palavras-chave da nossa escritura e também as matrizes de unificação do nosso trabalho”, afirmou.
A equipa encontra-se igualmente numa fase de treinamento para utilização do programa Paratext, uma ferramenta especializada que permite organizar os textos, coordenar o trabalho dos tradutores e facilitar a colaboração entre os diferentes intervenientes.
Um dos principais desafios identificados durante o seminário é a escolha de formas linguísticas e ortográficas que permitam a compreensão do texto nas diferentes ilhas, sem privilegiar necessariamente uma variante em detrimento das restantes.
O projecto é promovido pela Escola Universitária Católica de Cabo Verde, em articulação com as dioceses de Santiago e do Mindelo, conta com apoio técnico da Seed Company.
Prevê a disponibilização de versões para consulta pública antes da edição final, enquadrada nas comemorações dos 500 anos da Diocese de Santiago, prevista para 2033.
Para o diretor de consultoria em tradução da Seed Company, John Iseminger, a diversidade linguística constitui uma das questões que exigirão maior atenção, defendendo que a tradução deve preservar o sentido dos textos originais e, ao mesmo tempo, recorrer a expressões naturais na língua de chegada.
Por seu lado, o estudioso da língua materna Marciano Moreira, também membro da comissão, considerou que a tradução poderá ter um impacto que ultrapassa a dimensão religiosa, ao contribuir para a consolidação da escrita e para a transmissão da língua às novas gerações, num contexto em que a oralidade continua a desempenhar um papel central na sua preservação.
Na sua óptica, a padronização não deve significar a eliminação das variantes regionais, mas antes a procura de uma forma de expressão compreensível para o maior número de falantes, admitindo o recurso a notas explicativas e sinónimos para esclarecer diferenças de vocabulário entre as ilhas.
O projecto visa traduzir integralmente a Bíblia diretamente das línguas originais (grego, hebraico e aramaico) para a língua cabo-verdiana (crioulo) e conta com uma equipa multidisciplinar que incluiu teólogos, linguistas e especialistas em grego bíblico e crioulo.
O encerramento da Feira do Livro, cuja abertura teve lugar na sexta-feira, 09, ficou marcado este sábado pela avaliação de diferentes expositores sobre a adesão do público, as vendas e o interesse pela leitura, sobretudo entre os mais jovens.
Apesar dos resultados considerados positivos por alguns participantes, a crescente preferência pelos conteúdos digitais e a necessidade de promover mais iniciativas de incentivo à leitura estiveram entre os aspetos destacados, revela a Inforpress.
Vera Vaz, representante da Imprensa Nacional de Cabo Verde, fez um balanço bastante positivo da iniciativa, destacando “a forte adesão do público” e a presença de crianças e adultos à procura de livros.
Segundo esta responsável, embora se verifique uma diminuição do interesse pelos livros em formato físico, a leitura através da Internet tem vindo a ganhar espaço.
“Apesar do crescente interesse pela leitura em formato digital, é fundamental continuar a promover feiras do livro, sobretudo junto dos mais jovens, para despertar o gosto pela leitura e aproximar as novas gerações dos livros em papel”, apontou a mesma fonte.
A Imprensa Nacional levou à feira diversas publicações, entre as quais livros didáticos e obras da coleção do Prémio Arnaldo França, uma distinção anual destinada a reconhecer e valorizar os escritores cabo-verdianos.
A instituição aproveitou ainda a ocasião para apresentar a quarta edição do Código Civil, cujo lançamento foi realizado na quarta-feira anterior pelo escritor Germano Almeida.
Vera Vaz sublinhou que, apesar de o público da instituição ser constituído sobretudo por profissionais, as vendas registadas ao longo dos dias foram satisfatórias.
Defendeu, por isso, a continuidade da feira e apelou à realização de mais edições ao longo do ano, bem como ao alargamento da iniciativa a outros concelhos.
Segundo a mesma fonte, a representante chamou ainda a atenção para o facto de a Imprensa Nacional de Cabo Verde, com 184 anos de existência, continuar a ser pouco conhecida por uma parte da população, sobretudo entre os jovens.
Por sua vez, Edney de Pina, representante da banca de Literatura Portuguesa, destacou o interesse demonstrado pelos visitantes pelas obras disponíveis, incluindo livros de autores como Pepetela, Eça de Queirós e José Saramago.
Ao longo dos dias da feira, o responsável observou uma presença significativa de jovens à procura de livros, muitas vezes motivados pelas escolas.
Considerou particularmente gratificante verificar esse interesse pela leitura e pela descoberta de novas obras.
Na sua perspetiva, a feira deveria realizar-se mais vezes ao longo do ano, de modo a despertar e consolidar o interesse dos jovens pelos livros.
Conforme ainda a Inforpress, Maria Augusta, coordenadora da área de Mediateca da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), reconheceu que as vendas ficaram aquém das expectativas, embora a instituição tenha recebido muitos visitantes e conseguido vender algumas publicações.
O espaço apresentou essencialmente obras produzidas por docentes da Uni-CV, maioritariamente de anos anteriores, sem novidades editoriais.
Ainda assim, a responsável classificou como razoável o volume de vendas alcançado.
O músico, compositor e produtor Adê celebra dez anos de carreira com o espectáculo “CASA”, marcado para 07 de Novembro, no Auditório Nacional da Praia, num concerto que antecede o lançamento do seu terceiro álbum a solo.
O espectáculo representa “o primeiro grande concerto a solo” em Cabo Verde do artista e pretende assinalar uma década de percurso musical, marcada pela valorização das sonoridades cabo-verdianas e pela sua ligação a influências de diferentes geografias.
Ao longo da carreira, Adê tem construído “uma identidade musical própria”, com trabalhos como “Branku na Pretu” e “Hello Cabo Verde”, que contribuíram para a divulgação da sua música além-fronteiras.
Mais recentemente, apresentou o projecto “Entre Ilhas: Macaronésia Vol. 1”, que tem percorrido vários pontos da região da Macaronésia, formada por arquipélagos do Atlântico Norte.
Segundo o músico, o concerto “CASA” será um momento especial de celebração das raízes musicais cabo-verdianas e do diálogo com outras influências culturais.
“Acredito que será um momento muito especial, sobretudo para quem ama a música tradicional cabo-verdiana e gosta de ver as suas raízes cruzarem-se com influências do mundo”, afirmou Adê.
Acrescentou que o público pode esperar um espectáculo com convidados especiais e músicas que despertam o sentimento de pertença.
O concerto “CASA” pretende também marcar uma nova etapa da sua carreira, criando expectativas em torno do lançamento do seu terceiro álbum a solo.
O espetáculo está agendado para 07 de Novembro, no Auditório Nacional, na cidade da Praia.
O cantor cabo-verdiano Mureno lançou novo single, “Fastenta”, no estilo compa ,em que já se encontra disponível em todas as plataformas digitais e com vídeoclipe no Youtube. A composição é de Mureno e Manolo, enquanto o beat esteve a cargo de Aldo Baby e Mayou Beats.
Conforme o comunicado da produtora Harmonia, a nova música do artista fala sobre um amor maduro e compreensivo, capaz de suportar as fases mais difíceis de uma relação a dois.
“Fastenta retrata a realidade de muitas pessoas. Sempre existe aquele outro lado da relação, com desentendimentos, ciúmes, manias ou reclamações. Em contrapartida existe a outra parte que entende, suporta. Todo mundo tem uma Fastenta em sua vida, e mesmo com desentendimentos, no fim acabam sempre escolhendo um ao outro”, referiu a produtora.
Segundo a fonte deste jornal digital, o tema mostra ainda que amar significa muitas vezes “equilibrar”, tendo o sentimento como a base que sustenta a relação.
A Harmonia recordou que Mureno lançou seu primeiro EP intitulado “Garota” em novembro de 2025, mas já era conhecido através dos temas como “Mor Di Nha Vida”, “Pikiniki Na Lua”, “Kusas d Coraçon” entre outros.
O Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV) em Portugal vai acolher, esta semana, uma programação especial para assinalar o Dia da Cultura e das Comunidades, celebrado anualmente a 18 de outubro. A organização convida o público a viver Cabo Verde em São Bento-Lisboa, por um conjunto de atividades que homenageiam a identidade cabo-verdiana tanto no arquipélago como na diáspora.
Conforme a nota remetida ao Asemanaonline, a semana de eventos surge no âmbito das comemorações nacionais instituídas pelo Governo de Cabo Verde. O objetivo principal é exaltar a riqueza cultural do país através das suas mais diversas manifestações artísticas como: a língua, a música tradicional e contemporânea e artes plásticas.
Estas celebrações funcionam como união entre todos os cabo-verdianos e os seus descendentes, residam eles nas ilhas ou espalhados pelo mundo. Começa dia 16 com o lançamento de livro «Poeta do Solo Sagrado» de Alda Espirito Santos de São Tomé, prossegue com «Tradições Culinárias de Cabo Verde - Comes e Petiscos da Terra» e culmina no sábado,17, com a exibição do documentario «Rhythms Of Sodade». Um filme de Kay Aoki e Masashi Nagara, filmado em São Vicente-Cabo Verde entre 2013 e 2024.
A escolha do dia 18 de outubro para esta efeméride carrega um forte simbolismo histórico: trata-se da data de nascimento de Eugénio Tavares (1867), nascido na ilha Brava.Reconhecido como o grande patrono desta data, Eugénio Tavares destacou-se na história do país como Poeta, Escritor e Jornalista.
O convite está lançado a toda a comunidade para se juntar aos festejos e celebrar o orgulho e a vivência da cultura cabo-verdiana em Lisboa.
O presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Música (SCM) defendeu, segunda-feira, 12, a urgência de uma revisão do enquadramento legal da cópia privada e a busca de uma solução “mais justa e equilibrada” para os titulares de direitos.
Daniel Spencer Brito, citado pela Inforpress, apresentou estas preocupações no encontro mantido com a Presidente da República interina, Janira Hopffer Almada, onde realçou, também, a necessidade de garantir que todos os utilizadores de música — tanto do sector público como do privado — cumpram com a obrigação legal do pagamento dos direitos de autor.
No encontro, a instituição solicitou o envolvimento e o compromisso da Presidência da República e demais entidades competentes para acelerar medidas que assegurem o respeito regular e atempado pelos direitos de autor e direitos conexos em Cabo Verde.
A SCM aproveitou ainda do encontro para fazer um ponto de situação sobre o crescimento da sociedade, destacando a representatividade do seu repertório a nível internacional e as vantagens decorrentes da integração da instituição na Confederação Internacional das Sociedades de Autores e Compositores (CISAC).
Contudo, lamentou a persistência de alguma resistência ao pagamento de direitos por parte de determinados utilizadores no mercado nacional.
Conforme a fonte referida, durante o encontro, Janira Hopffer Almada expressou o seu profundo apreço pela música cabo-verdiana, tendo sublinhado o quão importante é o cumprimento da lei vigente.
Neste âmbito, a Chefe de Estado interina manifestou total abertura para escutar as inquietações do sector e prometeu dar seguimento às preocupações apresentadas, apelando à importância do compromisso institucional e do respeito pela dignidade profissional.
No final a SCM apelou, igualmente, à valorização da criação artística e ao reconhecimento do papel fundamental dos autores, compositores, artistas e demais profissionais da música no desenvolvimento cultural, social e económico do país.
“A protecção dos direitos de autor constitui, não apenas, uma obrigação legal, mas também uma condição essencial para a dignificação dos criadores, a sustentabilidade da actividade artística e a promoção de uma cultura de respeito pela propriedade intelectual, enquanto dimensão fundamental dos direitos humanos”, afirmou.
O exibição do documentário “Morada di Sodadi” insere-se no quadro das atividades comemorativas do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, que se celebra a 18 de outubro. A estreia terá lugar no Auditório Nacional, cidade da Praia, nesta quarta-feira, 14 de outubro, pelas 17h40.
De acordo com a nota remetida ao Asemanaonline, através de uma narrativa que valoriza a memória coletiva cabo-verdiana, o documentário explora a história da emigração nacional e destaca os percursos, contribuições e vivências das comunidades da diáspora cabo-verdiana em diversos contextos internacionais.
“Esta sessão constitui uma oportunidade para refletir sobre o legado migratório de Cabo Verde e sobre o contributo das suas comunidades no exterior para o desenvolvimento nacional”, disse a organização, o Ministério das Comunidades, e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), .
O evento contará, segundo a nossa fonte, com a participação de altas autoridades nacionais, parceiros institucionais e representantes da comunicação social, assinalando o lançamento oficial do documentário antes da sua apresentação noutras localidades do país.