segunda-feira, 27 julho 2026

C Cultura

Carnaval/São Vicente: Mandingas movimentam mindelenses de todas as idades por mais de cinco horas de desfile

O arranque da “maratona” aconteceu por volta das 15:00 quando os dois grupos de mandingas, reunidos à frente do Mercado da Ribeirinha, partiram rumo a zonas como Fonte Inês e Cruz João Évora já com bom número de seguidores.

A partir daí a afluência de pessoas só aumentava a cada quilómetro percorrido, sem se importar com a idade, porque no meio da multidão cabia bebés, levados ao colo dos pais, e até pessoas de terceira idade ainda de “corpo rijo” e que aguentaram a pedalada de vibrar com os mandingas.

O manto negro avançou de seguida pela zona de Madeiralzinho, carregando consigo os caixões que representam a morte do Carnaval, mas, este ano, como novidade, também trouxeram mais de um caixão simbolizando a morte da Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval – São Vicente (LIGOC-SV) e dos júris, que, com os resultados do concurso oficial de 2024, suscitaram várias polémicas.

A crítica foi feita até com guiso e com os carregadores desses caixões a vociferarem que a LIGOC-SV e os júris “acabaram com o Carnaval de São Vicente” depois de terem até declarado empate entre quatro participantes, que concorriam para o prémio de Melhor Rainha de Bateria.

O desfile de mandingas mostrou assim ser também espaço para “julgamentos”, mas também de diversão de todo o tipo, inclusive para estrangeiros que a cada ano parecem crescer em número nesse cortejo, em que já arriscam passos para acompanhar a ginga dos cabo-verdianos.

Aliás, no “enterro do Carnaval” todos são bem-vindos e escolhem por conta própria a ala que querem ficar, porque apesar do desfile ser único, divide-se naturalmente em partes distintas, desde a “comissão de frente”, constituída por uma pequena multidão que anuncia a proximidade dos homens, mulheres e crianças de negro e trajados com saiotes e acessórios de “saco de larau”, vindos logo atrás.

Segue-se o grupo de tocadores que animam os mandingas, protegidos pelo cercado de corda, e também mais um segmento de populares, livres e criadores de “slogans” que começam a ser entoados por uma pessoa e contagia logo o grupo todo.

A terceira ala é feita pelo trio électrico que recorda as músicas de Carnaval recentes e mais antigas, e que carrega atrás o maior aglomerado de pessoas, que, aos pulos, empurros, encontrões e trocas de suores celebra o “enterro” como se não houvesse amanhã.  

E é esta despedida da festa do Rei Momo que se repete a cada ano e que agora, em 2024, movimentou um enorme número de mindelenses, que após percorrer outras zonas como Chã de Alecrim e Avenida Marginal, desembocou na praia do Cais de Alfândega, onde foram “enterrados” no mar os caixões, por volta das 20:15.

Com este final, a cidade do Mindelo volta a apaziguar-se, lamentando as saudades dos desfiles de mandingas que agora só regressam em 2025, trazendo de novo todo o “alvoroço de sabura”, mas, também oportunidades de negócios para os pequenos empreendedores, que vendem todo o tipo de comes e bebes nesse meio, para saciar a fome e a sede dos festeiros.

 

A Semana com Inforpress

 

19 de fevereiro 2024

Ocultar formulário

5000 caracteres restantes


Colunistas

Comentários

Soares
15 dias atrás

Pobresa , palavra que precisa sair nosso dicionário.

Miranda
19 dias atrás

Boa sorte

Terra
10 dias atrás

Mesmo verdade roupa sujo tem que ser lavado dentro da casa para os que não sabe o que fala,

Pub-Reportagem

publireport