sábado, 25 julho 2026

Leão XIV discursa no Congresso espanhol: "Sociedade e Igreja nem sempre estiveram à altura"

Outro dos momentos mais significativos da jornada será o encontro privado que Leão XIV terá com vítimas de abusos no seio da Igreja. A reunião, que decorrerá longe dos holofotes, pretende ouvir em primeira mão os seus testemunhos e reafirmar o compromisso do pontífice com a verdade, a reparação e a prevenção destes crimes, uma questão que colocou entre as prioridades do seu pontificado.

 

 

"Espanha soube olhar para o ser humano como algo mais do que uma peça da ordem social; reconheceu-o como uma criatura aberta à verdade", disse o Papa. "É preciso reconhecer que a sociedade e a própria Igreja nem sempre estiveram à altura das intuições que encontravam eco na sua própria tradição cristã", acrescentou.

O pontífice aproveitou ainda a ocasião para pedir para os imigrantes "um acolhimento respeitador e possibilidades reais de integração". "A situação dos migrantes e refugiados exige uma resposta que olhe para as pessoas, enfrente as causas que as obrigam a partir e vá para além da mera gestão dos fluxos migratórios. Daí nasce uma dupla exigência de justiça social: oferecer vias seguras e legais, um acolhimento respeitador e possibilidades reais de integração; e promover, ao mesmo tempo, o direito a permanecer na própria terra, trabalhando para que ninguém tenha de abandonar o seu lar por falta de paz, segurança ou condições de vida dignas, entre elas as desigualdades económicas e os efeitos da crise climática", afirmou.

Leão XIV fez também referência ao clima de tensão política, afirmando que "a pluralidade política não deveria degenerar numa desqualificação permanente do adversário".

Outro dos momentos mais significativos da jornada será o encontro privado que Leão XIV terá com vítimas de abusos no seio da Igreja. A reunião, que decorrerá longe dos holofotes, pretende ouvir em primeira mão os seus testemunhos e reafirmar o compromisso do pontífice com a verdade, a reparação e a prevenção destes crimes, uma questão que colocou entre as prioridades do seu pontificado.

O pontífice chegou a Madrid no sábado passado, quando foi recebido pelas autoridades espanholas e presidiu a uma vigília perante uma multidão de jovens na praça de Lima. Nas primeiras intervenções defendeu a paz, o diálogo e o multilateralismo, além de alertar para os riscos da polarização política.

No domingo, Leão XIV presidiu à missa do Corpo de Deus na praça de Cibeles, perante centenas de milhares de fiéis, e encabeçou posteriormente a tradicional procissão pelo centro de Madrid. Durante a celebração apelou a combater a indiferença e defendeu o diálogo social, numa das intervenções mais acompanhadas da viagem. Já à tarde manteve um encontro privado com a Ordem de Santo Agostinho e participou no ato Tejer redes, na Movistar Arena, onde se reuniu com representantes do mundo da cultura, da arte, da economia e do desporto.

Papa viaja para Barcelona na terça-feira

Após concluir a estadia em Madrid, Leão XIV viaja na terça-feira para Barcelona, onde inicia a segunda etapa da visita a Espanha, de marcado caráter pastoral. O pontífice chegará ao aeroporto de El Prat ao meio-dia e o primeiro ato será a recitação da Hora Média na Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália, um dos templos mais emblemáticos da capital catalã.

O dia termina com uma grande vigília de oração no Estádio Olímpico Lluís Companys, onde é esperada a participação de milhares de fiéis. Na quarta-feira, Leão XIV cumpre uma agenda centrada na dimensão social e espiritual do pontificado. Visita o estabelecimento prisional de Brians 1, reza o Terço na abadia de Montserrat e partilha um almoço com a comunidade beneditina.

Já durante a tarde, reúne-se com organizações dedicadas à assistência e à caridade na igreja de Sant Agustí antes de presidir à missa solene na Basílica da Sagrada Família. Depois da celebração, inaugura e benze a Torre de Jesus Cristo, no âmbito das comemorações do centenário da morte de Antoni Gaudí, naquele que será um dos momentos mais simbólicos e aguardados de toda a visita a Espanha.

Canárias, a etapa mais social da viagem

As Ilhas Canárias serão a última paragem de Leão XIV em Espanha e uma das mais simbólicas de toda a viagem apostólica. O pontífice chegará na quinta-feira, 11 de junho, a Gran Canaria com uma agenda centrada na realidade migratória, uma das principais preocupações do pontificado.

O primeiro ato será uma visita ao cais de Arguineguín, um dos principais pontos de chegada de imigrantes ao arquipélago, onde se reunirá com organizações e voluntários que trabalham no acolhimento de pessoas que chegam pela rota atlântica. Posteriormente participará em vários encontros pastorais antes de presidir a uma missa multitudinária no Estádio de Gran Canaria.

No dia seguinte, já em Tenerife, Leão XIV visitará o centro de acolhimento de imigrantes de Las Raíces, em La Laguna, onde conhecerá em primeira mão a situação das pessoas acolhidas nestas instalações e o trabalho dos profissionais e das entidades sociais. A visita termina com uma grande celebração religiosa em Santa Cruz de Tenerife e uma cerimónia de despedida antes do regresso a Roma.

A Semana com Euronews

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Comentários

Miranda
18 dias atrás

Boa sorte

Rocha Pereira
11 dias atrás

Em nome do sr esse homem e mesmo o que Cabo Verde não merece por que se verdade mesmo por que são filhos do coitado p ...

Miranda
17 dias atrás

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