O Partido Popular (PP) acolhe “com bons olhos” o número de pré-candidatos às eleições presidenciais, pois “a multiplicidade de candidaturas demonstra que a democracia funciona” em Cabo Verde, mas afirma que ainda não decidiu apoiar alguma candidatura.
“É um debate interno que vamos fazer. Ainda não sabemos. Nós somos cidadãos livres para escolher o candidato que queremos”, afirmou, acrescentando que o PP não tem, neste momento, nenhum candidato em particular.
A posição foi expressa hoje, em declarações à Inforpress, pelo presidente do PP, Amândio Vicente, a propósito do posicionamento do partido relativamente às eleições presidenciais do dia 15 de Novembro e de um eventual apoio a uma candidatura.
Amândio Vicente considerou normal o surgimento de vários pré-candidatos à Presidência da República, sublinhando que a apresentação de candidaturas por diferentes grupos de cidadãos demonstra a liberdade e o direito de participação política.
“Esses grupos de cidadãos que apresentam as candidaturas são sempre bem-vindos para a democracia. É mais uma opção para o cidadão escolher quem é que quer votar para a Presidência”, afirmou.
O líder do PP recordou que houve períodos em que Cabo Verde teve apenas um candidato à Presidência da República, situação que classificou como “muito triste”, defendendo que agora será necessário avaliar a capacidade dos diferentes candidatos e se estes apresentam propostas capazes de contribuir para o país.
Quanto a um eventual apoio do partido a uma candidatura, Amândio Vicente disse que a questão ainda será alvo de debate interno.
“É um debate interno que vamos fazer. Ainda não sabemos. Nós somos cidadãos livres para escolher o candidato que queremos”, afirmou, acrescentando que o PP não tem, neste momento, nenhum candidato em particular.
Segundo a mesma fonte, Amândio Vicente aproveitou para defender uma alteração do sistema político cabo-verdiano, com o argumento de que a função presidencial, no actual sistema parlamentar, tem pouca influência directa na vida e no bem-estar dos cidadãos.
Segundo o presidente do PP, o partido defende a adopção de um sistema presidencialista, no qual o Presidente da República assumiria também funções executivas.
“A função presidencial, pela Constituição da República, tem pouca relevância na vida, no bem-estar social do cidadão”, sustentou.
Para Amândio Vicente, no actual modelo, o Presidente da República dispõe de “pouco trabalho, pouca atribuição e função”, considerando que muitas das suas competências não têm reflexo directo no quotidiano dos cidadãos.
“Nós não vemos a função presidencial como algo que tem impacto na vida do cidadão”, afirmou, justificando que o PP concorre às eleições autárquicas e legislativas por considerar que os cargos municipais e parlamentares têm maior impacto directo na vida das pessoas.
“Então, para nós, a função presidencial e o próprio sistema deviam mudar. Se o Presidente da República fosse chefe do Governo, tinha mais um órgão de soberania apenas com pouca actividade, pouca função, pouca atribuição”, argumentou segundo a fonte referida.
Formalizaram as suas candidaturas presidenciais junto do Tribunal Constitucional os pré-candidatos Jorge Luís dos Santos, Gilson Alves, José Maria Neves, Amadeu Oliveira, Joana Rosa, Antero Tavares, Fernando Rocha Delgado, Casimiro Pina, Péricles Tavares e Loisito Tavares Sousa.

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