sábado, 03 outubro 2026

ENTREVISTA: Investimento em África subiu 40% para 12,8 mil ME no último ano - IFC

"No final do ano fiscal, que terminou em junho, tivemos um ano recorde em todos os aspetos, com muitos projetos e muita inovação, no valor de 14,2 mil milhões de dólares (12,8 mil milhões de euros), o que compara com os 10 mil milhões de dólares [nove mil milhões de euros] do ano que terminou em junho de 2023, sendo que há cinco ou seis anos fazíamos três ou quatro milhões de dólares (2,7 a 3,6 mil milhões de euros) por ano, portanto é um salto quantitativo alto", considerou Sérgio Pimenta.

Em entrevista à Lusa em Lisboa, onde toda a direção da IFC para África esteve reunida esta semana, Sérgio Pimenta vincou que mais importante do que o valor investido por esta entidade do Grupo Banco Mundial vocacionada para apoiar investimentos do setor privado, é a verba que consegue mobilizar.

"Estamos cada vez mais a mobilizar capital privado para financiar as empresas e o desenvolvimento de África, e por cada dólar que colocamos, mobilizamos 1,4 dólares de financiamento dos parceiros que, sem nós e o nosso apoio e ajuda, não viriam para o continente", explica o responsável que há sete anos que ocupa a vice-presidência da IFC para África.

No ano terminado em junho, a IFC mobilizou 196 milhões de dólares, cerca de 177,5 milhões de euros, em investimentos nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP).

Deste valor, cerca de metade foi canalizado para Cabo Verde, onde esta entidade do Banco Mundial investiu 98 milhões de dólares, separados entre Transporte e Armazenamento (71 milhões de dólares) e Acomodação e Serviços de Turismo (27 milhões de dólares.

Seguiu-se depois Moçambique, num total de 86 milhões de dólares, divididos entre o setor financeiro e segurador (61 milhões de dólares) e veículos de transporte coletivo (25 milhões de dólares).

Angola, com 8 milhões de dólares para um investimento em transportes coletivos, e São Tomé e Príncipe, com três milhões de dólares canalizados para um projeto de energia elétrica, completam o leque dos PALOP que receberam financiamento, ficando de fora, este ano, a Guiné-Bissau e a Guiné Equatorial.

Questionado sobre as áreas onde a IFC mais está a apostar em África, simultaneamente seguindo e fomentando a apetência do setor privado, Sérgio Pimenta destacou as infraestruturas de energia, os transportes e as telecomunicações.

"Todos os anos a percentagem de financiamento às telecomunicações é maior", realçou, seja em instalação de fibra ótica, torres de comunicação ou até empresas de telecomunicações que tiram partido da facilidade de aceder a financiamento através do telemóvel.

A aposta nas mulheres, que "foram desproporcionadamente afetadas durante a pandemia", é outra das prioridades da IFC, até porque "do ponto de vista bancário, o risco de não pagamento é muito menor nas mulheres".

Mas também do ponto de vista estratégico, "a questão do género é muito importante, e o desenvolvimento socioeconómico da mulher africana é muito importante, principalmente porque o défice de financiamento é muito maior nas mulheres do que nos homens", afirmou.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
27 dias atrás 5 horas atrás

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jcf
28 dias atrás 22 horas atrás

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joão do rosário

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