segunda-feira, 28 setembro 2026

Portugal tem falhado na relação com comunidades de lusodescendentes na Ásia - Governo

Malaca (Malásia), Sri Lanka, Goa, Damão e Diu (Índia), Myanmar (antiga Birmânia), Japão ou Tailândia são alguns dos exemplos de países ou regiões com comunidades de lusodescendentes que Portugal, de acordo com José Cesário, não tem conseguido alcançar.

Pela Ásia, "há diversíssimas comunidades e com as quais Portugal, verdadeiramente, tem feito muito, muito, muito pouco", disse o responsável aos jornalistas em Macau, onde se encontra até hoje numa visita de três dias.

"Em termos institucionais, praticamente nada. Há um estudioso ou outro, um académico ou outro, um investigador ou outro, um jornalista ou outro, que de vez em quando e tal faz um artigo, um trabalho, uma coisa. Agora, não há uma continuidade de trabalho", reforçou.

José Cesário recorreu a Malaca, para exemplificar como algumas destas "comunidades isoladas" preservam tradições antiquíssimas "sem a mínima atenção e incentivo".

"Eu visito o bairro português, o 'settlement', como se diz, encontro lá o [lusodescendente] Papa Joe a tocar, a cantar o Malhão em português, e eles dançam, e têm os trajes folclóricos, e têm o galo de Barcelos (...). Ninguém fala português, mas isso é normal, aqui [em Macau] também. Mas fazem aquilo tudo de acordo com a tradição de há centenas de anos, sem o mínimo acompanhamento", reforçou.

Para chegar a estas comunidades e colocá-las em rede, com Portugal e entre elas, Cesário defendeu que, do lado do Estado, é necessário "encontrar uma entidade" que consiga estabelecer uma "relação desejavelmente continuada" e fazer "um trabalho a prazo".

Depois, do lado da sociedade civil, sugeriu o secretário de Estado, o trabalho pode partir de entidades "disponíveis para trabalhar com o Estado na realização de alguns projetos em concreto".

Neste sentido, Macau pode ser o "melhor local" para realizar este projeto, considerou, referindo ter abordado "este facto que preocupa" com algumas pessoas, nomeadamente responsáveis do Instituto Internacional de Macau, da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e da Fundação Oriente.

"O que eu disse a algumas pessoas foi para pensarem em algumas atividades que possamos fazer com eles, e ver se conseguimos agora, nestes próximos meses, no contexto dos apoios que nós normalmente concedemos ao movimento associativo (...), se conseguimos encontrar algumas atividades que se dirijam especificamente a esta comunidade", indicou.

José Cesário notou também que há comunidades com as quais é mais complicado trabalhar, notando, por exemplo, ser "muito mais difícil identificar" a comunidade lusodescendente em Myanmar, país que é palco de um conflito armado.

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) tem denunciado, nos últimos anos, "o genocídio” em curso de milhares de lusodescendentes católicos (bayingyis) em Myanmar, que se tem traduzido em destruição, mortes e refugiados.

De acordo com o diretor-geral para a Ásia/Pacífico da AILD, Joaquim Magalhães de Castro, a comunidade de lusodescendentes em Myanmar existe há mais de 400 anos, resultando de casamentos feitos entre locais e portugueses, muitos deles mercenários.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 7 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
23 dias atrás 23 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
26 dias atrás 6 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...