domingo, 04 outubro 2026

ENTREVISTA: Moçambique/Eleições: Candidato presidencial Venâncio Mondlane afasta aliança com o Chega

"[Eu fiz] uma visita oficial ao parlamento português e eu tenho por obrigação fazer encontros de cortesia com todos os partidos que compõem o parlamento. Foi só e absolutamente isso. Não fui ter em especial com o Chega para fazer alguma aliança, para fazer um pacto, não", afirmou Venâncio Mondlane, em entrevista à Lusa em Maputo.

Em 01 de agosto, o líder da Organização da Juventude Moçambicana (OJM), estrutura juvenil da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), Silva Livone, acusou o candidato presidencial Venâncio Mondlane de se reunir com "colonialistas" na sua visita a Portugal, referindo-se ao Chega.

"Foi lá na Europa e foi reunir com um partido que são aqueles colonialistas. E lá na Europa ele disse que quando ganhar as eleições vai trazer aqueles de volta e vai pedir desculpa ao colono por nós os termos expulsado daqui. É isso que vocês querem", questionou, na altura, o secretário-geral da OJM, num encontro com apoiantes da Frelimo.

Venâncio disse que não está arrependido pelo encontro que teve com o vice-presidente do Chega, Diogo Pacheco de Amorim, em 23 de julho, em Lisboa, afirmando que voltaria a reunir-se com aquela formação política "normalmente", numa nova visita ao parlamento de Portugal.

"Eu quero ser Presidente da República, tenho de assumir uma posição de Estado (…). A posição de Estado é que você não fala com as pessoas com as quais você concorda. Você não fala com as pessoas com as quais você tem convergência ideológica ou doutrinária de qualquer outra espécie, você fala com toda a gente que represente, que seja reconhecida num determinado Estado", frisou o candidato.

Durante a entrevista, o político, que nesta visita a Lisboa também se reuniu com o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, avançou ainda que manifestou interesse num encontro com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, aguardando ainda um ajuste das agendas, destacando, entretanto, a parceria estratégica entre Moçambique e Portugal.

"Até posso dizer que para nós, como Moçambique, [Portugal] é um parceiro estratégico também para o acesso aos países que compõem a União Europeia", afirmou.

Moçambique realiza em 09 de outubro as eleições gerais, incluindo presidenciais, legislativas e provinciais.

O atual Presidente da República, Filipe Nyusi, não vai concorrer no escrutínio, por já ter atingido o limite constitucional de dois mandatos.

Além de Venâncio Mondlane, também concorrem ao cargo Daniel Chapo, apoiado pela Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder), Ossufo Momade, apoiado pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, maior partido da oposição), e Lutero Simango, apoiado pelo Movimento Democrático de Moçambique (MDM), terceira força parlamentar.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
27 dias atrás 12 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
29 dias atrás 5 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport