quarta-feira, 30 setembro 2026

Nova estratégia entre Cabo Verde e OMS tem seis áreas prioritárias

"Mitigar os fatores de risco e controlar as doenças não transmissíveis (DNT), incluindo a saúde mental", é uma das prioridades, de acordo com o documento que abarca o período 2024-2028, consultado hoje pela Lusa.

"As DNT (doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes, entre outras) causam mais de 57% das mortes em Cabo Verde e são a principal causa de evacuações [transferências médicas] para o estrangeiro", acrescenta-se no documento.

O alerta é claro: há uma "prevalência generalizada" de fatores de risco que importa contrariar (caso da hipertensão), enquanto, a outro nível, se torna premente uma "prestação de serviços adequados de saúde mental" -- numa altura em que o Governo institui 2024 como ano dedicado à promoção desta área específica.

Outra preocupação central passa por "melhorar determinadas dimensões do sistema de saúde, incidindo na força de trabalho e na qualidade dos cuidados".

"Com um rácio de 7,7 médicos por cada 10.000 habitantes, o número ultrapassa a média africana (2,9/10.000), mas continua abaixo da densidade recomendada pela OMS (10/10.000)", acrescenta.

O desafio inclui a meta de "distribuir eficazmente os profissionais de saúde pelas nove ilhas".

O programa a cinco anos com a OMS pretende também "melhorar a governação do sistema de saúde por forma a integrar o setor privado" e "desenvolver a resiliência do sistema para fazer face às emergências e às alterações climáticas", outras duas prioridades.

Esta lista inclui também a eliminação de doenças transmissíveis específicas.

Depois de certificada a eliminação da malária, no início do ano, a ambição parte do princípio que o país não tem surtos ou mortes devido a doenças evitáveis pela vacinação há mais de 10 anos.

"Em 2017, Cabo Verde começou a preparar a documentação para declarar a eliminação do sarampo, da rubéola e da síndrome da rubéola congénita", um processo interrompido pela pandemia da covid-19, mas que deve ser retomado.

Ao mesmo tempo, as autoridades de saúde visam a eliminação da lepra, do tétano neonatal e da transmissão vertical do VIH (da mãe para o bebé).

A completar a lista de seis prioridades surge a intenção de "reforçar a saúde digital e modernizar os sistemas de informação sanitária".

A OMS nota que Cabo Verde tem já "um sistema de telemedicina forte e em evolução -- uma componente da saúde digital que proporciona acesso a médicos especialistas em todas as ilhas".

"Em 2020, foram feitas 786 consultas por telemedicina, sobretudo consultas de neurologia (24%), ortopedia (13%) e otorrinolaringologia (8%)", acrescenta-se no documento.

A estratégia de cooperação entre Cabo Verde e a OMS 2024-2028 foi definida após várias auscultações.

"O escritório da OMS em Cabo Verde consultou mais de 50 partes interessadas do Governo, do setor académico, da sociedade civil e de agências de cooperação bilateral e embaixadas sobre formas de ultrapassar estes desafios", lê-se no texto base.

Numa mensagem integrada no documento, a ministra da Saúde cabo-verdiana, Filomena Gonçalves, saúda "a abordagem desta estratégia, que se foca na resolução dos desafios de saúde mais prementes".

A nível prático, a estratégia "irá deixar de apoiar e financiar as lacunas imediatas ou pedidos 'ad-hoc' de Cabo Verde e, em vez disso, fornecerá 80% dos recursos técnicos e financeiros do escritório no país às seis prioridades pré-selecionadas e acordadas, na esperança de alcançar um impacto maior".

No documento assume-se que "o valor da OMS em Cabo Verde é o seu capital intelectual e social e não os seus limitados recursos financeiros".

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
24 dias atrás 6 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás 23 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
28 dias atrás 5 horas atrás

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