sexta-feira, 02 outubro 2026

Missão EarthCare revela segredos sobre funcionamento das nuvens

O satélite da ESA enviou a primeira imagem de um dos seus instrumentos e, pela primeira vez a partir do espaço, revela a estrutura interna e a dinâmica das nuvens, informou hoje a Agência Espacial Europeia, que referiu que esta captura “extraordinária” é apenas um primeiro vislumbre de todo o potencial do instrumento, uma vez que esteja plenamente calibrado.

O EarthCare transporta quatro instrumentos sofisticados concebidos para trabalhar em conjunto para lançar uma nova luz sobre o papel que as nuvens e os aerossóis desempenham no aquecimento e arrefecimento da atmosfera da Terra, contribuindo para uma melhor compreensão das alterações climáticas.

A missão foi lançada em 29 de Maio e enviou a sua primeira imagem através do “cloud profiling radar”, fornecido pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

Os primeiros dados dos três instrumentos europeus do satélite – o radiómetro de banda larga, o “lidar atmosférico” e o gerador de imagens multiespectral – são esperados nas próximas semanas e meses, detalhou a ESA num comunicado hoje divulgado.

Takuji Kubota, cientista da missão da JAXA para o radar de perfil de nuvens, avaliou a imagem enviada, que revela detalhes sobre a estrutura interna da dinâmica das nuvens sobre o oceano, a leste do Japão, em 13 de Janeiro.

"Nunca obtivemos esse tipo de informação medida do espaço. É tudo o que esperávamos e muito mais. Acredito que o radar de perfil de nuvem proporcionará diversas descobertas científicas", afirmou.

A imagem é apresentada em duas partes; à esquerda, os dados revelam a concentração vertical de partículas de nuvens medidas como reflectividade do radar. Vê-se claramente que a parte mais densa da nuvem está no seu centro, onde existem mais partículas maiores.

À direita está a velocidade de queda das partículas de nuvens, com valores baixos na camada superior, indicando cristais de gelo e flocos de neve em suspensão, ou caindo lentamente, enquanto na camada inferior os valores muito mais elevados de velocidades de queda indicam chuva.

Ambas as imagens mostram uma fronteira clara a uma altitude de cerca de cinco quilómetros, onde o gelo e a neve derretem, formando gotículas de água que caem como chuva.

O Cloud Profiling Radar usa a sua capacidade "Doppler" para medir a velocidade vertical do movimento do gelo, neve e chuva.

Esta informação detalhada sobre a densidade, distribuição de tamanho e velocidade das partículas permitirá aos cientistas distinguir os componentes das nuvens e, portanto, compreender melhor a sua física, informou a ESA, que sublinhou que é a primeira vez que esta medição é realizada no espaço.

Até agora, estes dados só podiam ser obtidos através de radares de nuvens no solo ou em aviões, métodos que só podem medir áreas limitadas, mas o “radar de perfil de nuvens” transportado pelo satélite “EarthCare” pode medir a estrutura das nuvens uniformemente em todo o planeta.

A directora dos Programas de Observação da Terra da ESA, Simonetta Cheli, também valorizou o primeiro resultado obtido pela missão e pela agência JAXA.

 

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 17 horas atrás

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joão do rosário
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