sexta-feira, 02 outubro 2026

Produção de cocaína bate recorde de 2,7 mil toneladas em 2022

Orelatório inclui capítulos especiais sobre o impacto da proibição da produção de ópio no Afeganistão, sobre drogas sintéticas e outros tipos, os impactos da legalização da canábis e do "renascimento" do consumo de substâncias psicadélicas, o direito à saúde em relação ao uso de drogas e como o tráfico de drogas no Triângulo Dourado (Tailândia, Mianmar e Laos, juntamente com o Afeganistão) está ligado a outras atividades ilícitas e as suas consequências.

 

O documento divulgado em Viena adianta que o cultivo global de arbustos de coca aumentou 12% entre 2021 e 2022, para 355.000 hectares.

O aumento prolongado da oferta e da procura de cocaína coincidiu com o crescimento da violência em estados ao longo da cadeia de abastecimento, nomeadamente no Equador e nos países das Caraíbas, e um aumento dos danos para a saúde nos países de destino, incluindo na Europa Ocidental e Central.

No que se refere à legalização da canábis em alguns países, o relatório aponta que em janeiro de 2024, o Canadá, o Uruguai e 27 jurisdições nos Estados Unidos tinham legalizado a produção e venda desta substância para uso não médico, enquanto uma variedade de abordagens legislativas surgiram noutras partes do mundo.

O documento nota que "nestas jurisdições das Américas, o processo parece ter acelerado o uso nocivo da droga e levado a uma diversificação de produtos de canábis, muitos deles com elevado teor de THC (potência)".

As hospitalizações relacionadas com distúrbios devido ao consumo de canábis e a proporção de pessoas com distúrbios psiquiátricos e tentativas de suicídio associadas ao uso regular aumentaram no Canadá e nos Estados Unidos, especialmente entre adultos jovens.

A canábis continua a ser a droga mais consumida em todo o mundo, sobretudo na faixa etária entre os 15 e os 64 anos.

O relatório dá conta também do "renascimento" do acesso e uso de substâncias psicadélicas, destacando que embora o interesse no uso terapêutico destas drogas tenha continuado a crescer no tratamento de alguns distúrbios de saúde mental, a investigação clínica ainda não resultou em quaisquer diretrizes científicas padrão para uso médico.

No entanto, no âmbito do "renascimento psicadélico" mais amplo, os movimentos populares estão a contribuir para o florescimento do interesse comercial e para a criação de um ambiente propício que incentiva o amplo acesso ao uso não supervisionado, "quase terapêutico" e não médico de substâncias psicadélicas.

Estes movimentos têm o potencial de ultrapassar as evidências terapêuticas científicas e o desenvolvimento de diretrizes para o uso médico de substâncias psicadélicas, comprometendo potencialmente os objetivos de saúde pública e aumentando os riscos para a saúde associados ao uso não supervisionado destas substâncias.

No que se refere às implicações da proibição pelo Governo afegão da produção do ópio no Afeganistão, a diminuição drástica da produção em 2023 (em 95% face a 2022) e um aumento na produção em Mianmar (em 36%), a produção global de ópio caiu 74% no ano passado.

O documento conclui que "a dramática contração" da produção do opiáceo afegão mercado tornou os agricultores afegãos mais pobres e alguns traficantes mais ricos.

Esta situação poderá ter implicações a longo prazo, incluindo a pureza da heroína, uma mudança para outros opiáceos ou um aumento na procura de serviços de tratamento de opiáceos poderão em breve ser sentidos nos países de trânsito e de destino das drogas afegãs.

O documento da UNODC destaca ainda que os países têm de consagrar o direito a serviços de saúde e tratamento pelos consumidores de drogas, direito humano reconhecido internacionalmente, independentemente do estado de consumo de drogas ou de a pessoa estar presa ou em liberdade e às suas famílias.

A Semana com Lusa

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...

Comentários

joão do rosário
25 dias atrás 23 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
27 dias atrás 16 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
29 dias atrás 22 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...

Pub-Reportagem

publireport