domingo, 04 outubro 2026

Observatório moçambicano aponta falta de medicamentos essenciais nos hospitais

O Observatório Cidadão para Saúde (OCS) pediu hoje esclarecimentos do Governo moçambicano sobre a alegada falta de medicamentos "essenciais" nos hospitais públicos, apesar de apontar que existe "stock suficiente" para os administrar aos pacientes.

"Um dos grandes problemas que os utentes e usuários dos serviços de saúde enfrentam tem a ver com a falta de medicamentos, até para tratar doenças mais comuns, nas unidades sanitárias do país", lê-se numa nota enviada à Lusa por aquele Observatório.

No documento, o OCS recorda que este "foi um dos principais pontos apresentados no caderno reivindicativo" da Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM), que promoveu nos últimos meses dois períodos de greve nacional, sendo também "um dos principais calcanhares de Aquiles no Sistema Nacional de Saúde (SNS) em Moçambique".

No documento, o Observatório Cidadão Para Saúde afirma que o Governo, através do ministro da Saúde, Armindo Tiago, tentou "minimizar" a situação, "fazendo acreditar que há existência de fármacos suficientes" no país, a nível dos depósitos centrais, mas "o cenário nos hospitais mostra o contrário".

"O mais comum é que em cada receita que o paciente recebe do técnico de saúde para adquirir os medicamentos, pelo menos há sempre falta de um fármaco nas farmácias internas das unidades sanitárias, conforme atestam algumas receitas de pacientes que foram interpelados pelo OCS", lê-se no comunicado.

Neste contexto, a organização "insta" o Governo, a "melhorar suas comunicações públicas de informe aos moçambicanos" sobre questões importantes que afetam e criam impacto na vida dos utentes e usuários de serviços de saúde.

"É crucial que o Governo recupere a confiança dos moçambicanos em relação aos seus discursos e pronunciamentos públicos com vista a devolver a esperança a milhões de utentes que ainda têm como referência o serviço público de saúde para cuidar, tratar e recuperar das patologias que os enfermam", refere a nota.

A diretora adjunta da Central de Medicamentos e Artigos Médicos (CMAM) moçambicana, Lucrécia Mateus, disse em maio que Moçambique dispõe de pelo menos 10 meses de 'stock' de medicamentos a serem distribuídos pelos hospitais do país.

A responsável falava durante o aviamento de medicamentos para os depósitos provinciais, hospitais centrais e o hospital psiquiátrico do Infulene.

O Governo moçambicano gasta anualmente oito mil milhões de meticais (116 milhões de euros) para aquisição de fármacos, avançou a diretora adjunta.

Moçambique conta com três armazéns centrais de medicamentos, em Maputo, no sul do país, Beira, centro, e Nampula, no norte.

A Semana com Lusa

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Comentários

joão do rosário
27 dias atrás 22 horas atrás

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29 dias atrás 15 horas atrás

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joão do rosário

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