terça-feira, 29 setembro 2026

CPLP: Estado da democracia e respeito pelos direitos humanos "não é aceitável"

O ex-presidente de Cabo Verde Jorge Carlos Fonseca considerou à Lusa que "não é aceitável" os estados da democracia e dos direitos humanos em alguns membros da CPLP, passados 30 anos da criação da organização lusófona. "Sendo uma organização que nos seus estatutos tem como pilar a democracia, respeito pelos direitos humanos, construção do Estado de Direito, o nível a que estamos, pensando nos nove membros, estamos a um nível que não é satisfatório, que não é aceitável", afirmou à Lusa Jorge Carlos Fonseca, à margem do Fórum de Lisboa, que decorreu na capital portuguesa do início de junho e que acolheu altos representantes do poder judicial, político e económico brasileiros, mas também de Portugal e de outros países. Questionado sobre se a falta de uma universalidade constitucional sobre os direitos humanos nos membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) seria o maior falhanço dos 30 anos da organização, o ex-Presidente cabo-verdiano foi taxativo: "sim, diria que sim". O Presidente de Cabo Verde entre 2011 e 2021, apoiado pelo Movimento para a Democracia (MpD), considerou também que o nível, o grau de ação, de realização dos direitos humanos, de democracia, variam muito dentro de cada um dos países, devido às diferentes histórias e culturas, mas que seria possível "estar muito mais avançados". Na opinião de Jorge Carlos Fonseca, que presidiu a Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP no biénio 2018-2020, "faltam mecanismos e instrumentos" para que "os valores da liberdade, da democracia, dos Estados de Direito se propaguem pela comunidade". Para isso, sublinhou, seria necessário que o secretariado-executivo tivesse "poderes mais abrangentes", "Não pode ser apenas o chefe da burocracia da CPLP. Para mim o secretário-executivo é um cargo político, portanto devia estar nas decisões das conferências dos chefes de Estado e do Governo", considerou, insistindo que deveria ter o "papel de sugerir, de ter alguma iniciativa". "Isto seria a grande conquista da CPLP", disse. Questionado sobre a principal conquista da organização lusófona nos últimos 30 anos, o ex-Presidente cabo-verdiano não hesitou em apontar o acordo de mobilidade, alcançado durante a presidência cabo-verdiana da organização. Recordou que o entendimento parecia inicialmente difícil de concretizar, sobretudo devido às especificidades de Portugal enquanto membro da União Europeia, mas que através de negociações entre os Estados-membros, foi possível ultrapassar obstáculos até à assinatura do texto, em 2021, quando a presidência da CPLP transitou para Angola. No entanto, Jorge Carlos Fonseca explicou que o acordo foi concebido como uma solução de "geometria variável", permitindo diferentes níveis de adesão pelos Estados-membros.  "Era uma espécie de menu", disse, detalhando que "Cabo Verde escolheu livre circulação para todos os setores, estudantes, comerciantes, intelectuais, industriais, e para todos os oito países. "Portanto, falta uma uniformização", considerou, afirmando que acordo precisaria agora de ser executado, de ser implementado e que "está neste momento um pouco parado". A CPLP, que assinala 30 anos em 17 de julho, é composta por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, sendo que este último detém a presidência rotativa da organização.     A Semana com NM/Lusa

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Comentários

joão do rosário
22 dias atrás 21 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
24 dias atrás 14 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
26 dias atrás 20 horas atrás

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