terça-feira, 29 setembro 2026

Presidente do Gana quer "solução multinacional" para eliminar terrorismo no Sahel

"Acredito que a solução é multinacional. Vai além da própria região. Há muitos países com interesse no que está a acontecer ali", afirmou durante um evento no centro de estudos britânico Chatham House.

Na sua opinião, exemplificou, não é possível "ter paz no Sahel sem envolver a Argélia ou a Mauritânia", pelo que defende parcerias mais alargadas.

O Gana assinou, em março, um acordo de segurança e defesa com a União Europeia que viabilizou o acesso a equipamento militar, incluindo 'drones' (aeronaves não tripuladas) de vigilância, armas antidrone e motas, como parte de um pacote de ajuda de 50 milhões de euros.

O chefe de Estado ganês adiantou que o país africano partilha informações em matéria de terrorismo e realiza exercícios conjuntos e programas de formação com o Reino Unido, a Alemanha, a França e os Estados Unidos.

Mas outra vertente do seu esforço tem sido a aproximação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental ao Mali, Burkina Faso e Níger, após estes abandonarem a CEDEAO para formarem a Aliança dos Estados do Sahel (AES), em 2024.

O afastamento dos três países aconteceu porque a organização sub-regional ameaçou com uma intervenção militar e pesadas sanções económicas.

Isto resultou também no abandono da Iniciativa de Acra, que facilitava a coordenação regional na luta contra o terrorismo.

"O que tenho feito desde que me tornei presidente foi procurar novos caminhos e construir novas pontes de cooperação", vincou hoje Mahama, que aproveitou a tomada de posse no início de 2025 para iniciar essa reaproximação.

"Felizmente, a relação desanuviou. E penso que há mais discussão e contacto sobre o nosso futuro comum entre a CEDEAO e os Estados do Sahel", adiantou.

Durante a sua intervenção, o Presidente ganês reiterou o desejo de mais cooperação intracontinental, tendo destacado a Zona de Comércio Livre Continental Africana como um instrumento fundamental para impulsionar o comércio, a industrialização e o desenvolvimento económico.

Isto inclui a livre circulação de pessoas, disse, deixando críticas aos ataques xenófobos na África do Sul, onde imigrantes ganeses e de outras nacionalidades, como moçambicanos, têm sido alvo de ataques e manifestações.

"Penso que isso contraria o objetivo da integração africana e vai contra os princípios do pan-africanismo", disse.

Mahama voltou também a defender uma reforma da ONU, considerando a exclusão de África do Conselho de Segurança "uma injustiça histórica e um desequilíbrio estrutural que compromete a credibilidade do próprio sistema multilateral".

O Presidente ganês sugeriu uma clarificação do Consenso de Ezulwini (adotado pela União Africana em 2005, exigindo uma reforma profunda no Conselho de Segurança da ONU, nomeadamente, dois assentos permanentes com direito de veto e cinco assentos não permanentes para África) e propôs que a União Africana proponha primeiro a questão da representação e, posteriormente, o direito de veto.

"Já se passaram anos e os apelos continuam a cair em saco roto. Considero que houve alguns erros na resolução. Podemos abordar esta questão num processo em duas etapas", admitiu.

Sobre o "projeto de lei sobre os direitos sexuais humanos e os valores familiares", que foi criticado na imprensa internacional por ser anti-LGBT+, Mahama garantiu que o texto vai ser analisado e que "ainda há um longo caminho a percorrer antes de se tornar lei".

A Semana com Inforpress/Lusa

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 1 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 17 horas atrás

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joão do rosário
26 dias atrás 23 horas atrás

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