terça-feira, 29 setembro 2026

Cida Lima defende arte como educação e inclusão social em projecto de reciclagem criativa na Praia

A artista falava à Inforpress no âmbito da sua exposição “Cartografia das Travessias”, referindo que a mesma conta com uma trajectória marcada pela vinculação entre países e projectos educativos.

Lima afirmou que o seu trabalho resulta de pesquisas contínuas iniciadas no Brasil e desenvolvidas em diferentes contextos africanos, incluindo países como Moçambique e Cabo Verde, onde actualmente realiza a sua oitava experiência internacional.

“Eu desenvolvo sempre um trabalho com artistas locais, através de parcerias com universidades e instituições”, explicou, acrescentando que a ausência de cursos superiores de artes visuais em Cabo Verde dificultou a sua inserção inicial, obrigando-a a procurar alternativas de colaboração com artistas da diáspora e projectos independentes.

Cida Lima sublinhou que a sua actual produção nasce de um processo de investigação sobre cor, símbolos e escrita africana, associado à observação do quotidiano urbano e à reutilização de resíduos do próprio ateliê.

A artista explicou ainda que o trabalho incorpora referências à ancestralidade africana, à escrita simbólica e a elementos culturais da Bahia, no Brasil, onde tem origem, estabelecendo um diálogo entre identidades e territórios distintos.

Para além da dimensão expositiva, o projecto inclui uma vertente social, com a intenção de financiar e desenvolver workshops itinerantes dirigidos a jovens de comunidades periféricas.

A mesma fonte defendeu que o acesso à informação e à formação prática pode ser determinante para a autonomia dos jovens criadores.

“Muitas vezes não é falta de talento, é falta de informação”, afirmou, acrescentando que pretende levar ferramentas básicas de produção artística a espaços comunitários, permitindo a criação de obras com valor comercial e sustentável.

Cida Lima lamentou ainda que o mercado artístico em Cabo Verde enfrenta desafios estruturais, nomeadamente a escassez de materiais e a ausência de uma cadeia comercial consistente, o que limita a valorização da produção local.

Apesar disso, destacou o potencial criativo dos jovens cabo-verdianos e a necessidade de reforçar a formação técnica e o intercâmbio cultural como forma de estimular a inovação artística.

O projecto “Cartografia das Travessias” integra-se, segundo a artista, numa lógica de continuidade, combinando exposição, investigação e intervenção social, com foco na transformação da arte em instrumento de educação e desenvolvimento comunitário. 

A inauguração está marcada para sexta-feira, 29 , pelas 17:30  no espaço Chez Maria Júlia, em Palmarejo Baixo. 

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 1 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
24 dias atrás 18 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...