terça-feira, 29 setembro 2026

OMS apela a cessar-fogo imediato no leste da RDCongo para conter epidemia

Os casos suspeitos ou confirmados de Ébola na República Democrática do Congo (RDCongo) - que faz fronteira com Angola - ascendem a mais de 900, com cerca de 220 mortes, segundo a OMS.

"Não podemos gerar confiança nas comunidades nem isolar os doentes enquanto caem bombas", afirmou na sua conta oficial da rede social X o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que deverá começar a coordenar operações de avaliação e resposta ao surto na mesma RDCongo.

Tedros pediu ao exército e às milícias que permitam um acesso seguro e sustentado para as equipas médicas nas zonas afetadas, principalmente nas províncias de Ituri, Quivu do Sul e Quivu do Norte, e que "a sobrevivência humana seja priorizada acima de qualquer outra coisa".

O diretor-geral da OMS, recordou que os confrontos na zona - onde operam milícias como os rebeldes do grupo armado Movimento 23 de Março (M23), alegadamente apoiado, segundo a RDCongo, pela vizinha Ruanda, ou as islamistas Forças Democráticas Aliadas -, provocam deslocamentos massivos, com o risco de que pessoas que estiveram em contacto com doentes de Ébola cheguem a campos sobrelotados.

A violência também pode dificultar as medidas de contenção, e os ataques contra instalações de saúde "tornam quase impossível rastrear os casos e os seus contactos", lamentou o responsável máximo da OMS.

Tudo isto faz com que o leste da RDCongo "enfrente uma colisão catastrófica entre doença e conflito", enquanto o surto de Ébola "avança mais rápido do que a resposta sanitária", admitiu.

A RDCongo, nação vizinha de Angola, é regularmente afetada por surtos e epidemias do vírus Ébola, que se transmite através do contacto direto com sangue ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e provoca febre hemorrágica grave, dores musculares, fraqueza, dores de cabeça, irritação da garganta, febre, vómitos, diarreia e hemorragias internas.

A atual epidemia corresponde a uma nova estirpe do Ébola, cujo vírus pertence à variante Ébola Bundibugyo, para a qual não existem tratamentos ou vacinas específicos e com uma taxa de letalidade que varia entre 30% e 50%, segundo a OMS.

Neste sentido, é menos letal do que a mais conhecida variante Ébola Zaire, com taxas de mortalidade entre 60% e 90% em surtos anteriores, e para a qual existem vacinas e tratamentos.

O Ébola provoca uma febre hemorrágica mortal, mas o vírus, que causou mais de 15 mil mortes em África nos últimos 50 anos, é menos contagioso do que a covid-19 ou o sarampo.

Na ausência de vacina e de tratamento aprovado contra a estirpe Bundibugyo do vírus, responsável pela epidemia atual, as diretrizes de contenção assentam essencialmente no cumprimento das medidas de prevenção sanitária e na deteção rápida dos casos.

A Semana com Inforpress/Lusa

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 1 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 18 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás

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