terça-feira, 29 setembro 2026

Tensões geopolíticas e subida do petróleo travam crescimento económico em Cabo Verde

Segundo o Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado esta quarta-feira, 13, pelo Banco de Cabo Verde (BCV), esta situação se deve à persistência das incertezas económicas globais.

Estas informações tinham sido anunciadas pelo governador do Banco de Cabo Verde (BCV), Óscar Santos, no dia 8 de Maio, durante uma conferência de imprensa promovida pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), para o balanço da missão realizada em Cabo Verde.

O documento do BVC indica que, apesar do ambiente externo menos favorável, Cabo Verde registou em 2025 um desempenho económico positivo, com o PIB a crescer 6,3 por cento em volume. Contudo, o crescimento reflectiu o abrandamento da procura externa turística e o enfraquecimento da procura externa líquida.

Do lado da oferta, o BCV destaca a desaceleração da actividade dos sectores do alojamento e restauração, bem como a contração do comércio, factores que condicionam o ritmo de expansão económica.

A inflação média anual, de acordo com a mesma fonte,  aumentou para 2,3 por cento em 2025, impulsionada sobretudo pela subida dos preços das importações, nomeadamente produtos alimentares e custos de transporte internacional.

Ainda assim, o Banco Central considera que os níveis permanecem compatíveis com a estabilidade de preços.

As contas externas, indica o RPM do BCV, apresentaram, entretanto, uma evolução favorável, com a balança corrente a registar um excedente de 3,7 por cento do PIB, sustentado pelo aumento das receitas do turismo, remessas dos emigrantes e transferências privadas.

“O reforço das entradas líquidas de financiamento externo permitiu igualmente o aumento das reservas internacionais líquidas para cerca de 1,1 mil milhões de euros em 2025, cobrindo aproximadamente nove meses de importações, acima dos 6,5 meses registados em 2024”, refere o mesmo relatório.

No sector financeiro, o crédito à economia cresceu 4,8 por cento, enquanto o sistema bancário manteve indicadores prudenciais considerados sólidos, com o rácio de crédito malparado (NPL) a descer para 5,1 por cento, o nível mais baixo dos últimos dois anos.

Para 2026, o BCV prevê uma inflação de 2,7 por cento, pressionada pelos preços da energia e dos produtos alimentares importados. Em 2027, a inflação deverá recuar para 1,8 por cento, acompanhando a esperada normalização dos preços internacionais.

Face ao actual enquadramento internacional, o BCV decidiu manter as taxas de juro de referência nos níveis actuais, reafirmando o compromisso com a estabilidade macroeconómica, a robustez do sistema financeiro e a credibilidade do regime cambial.

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 3 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 20 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 2 horas atrás

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