terça-feira, 29 setembro 2026

AFAC 2026: Especialista alerta para exploração de jovens atletas africanos no futebol internacional

A posição foi assumida por Khayran Noor durante uma intervenção dedicada à segurança e responsabilidade no futebol internacional, no âmbito da 4.ª edição da Conferência Africana dos Agentes de Futebol (AFAC).

Na sua comunicação, Khayran Noor chamou atenção para os perigos associados às transferências de jovens jogadores africanos, sustentando que muitos entram em sistemas futebolísticos sem compreenderem os riscos existentes.

Segundo explicou, famílias africanas chegam a vender bens e contrair despesas elevadas na expectativa de assegurar oportunidades internacionais para jovens atletas, acabando, em vários casos, confrontadas com situações de abandono, ausência de contratos e falta de apoio institucional.

A especialista referiu que há casos documentados em diferentes países europeus envolvendo jovens jogadores africanos e sul-americanos conduzidos para o exterior com “falsas promessas de carreiras profissionais”.

De acordo com Khayran Noor, alguns atletas ficaram sem abrigo, perderam o estatuto legal de permanência ou passaram a depender financeiramente das próprias pessoas que os exploravam.

Ao longo da sua intervenção, aquela responsável abordou ainda episódios de abuso no futebol internacional, apontando o silêncio institucional como um dos principais factores que permitem a continuação dessas práticas.

“As pessoas notaram sinais de alerta, suspeitaram que algo estava errado, mas ninguém actuou”, declarou, ao referir-se a escândalos de abuso revelados em Inglaterra.

Noor considerou igualmente que os agentes desportivos não devem limitar a sua actuação à negociação de contratos, atribuindo-lhes responsabilidades directas na segurança, estabilidade e bem-estar dos atletas.

Na sua óptica, cada decisão de transferência influencia não apenas a carreira desportiva dos jogadores, mas também o ambiente social, emocional e humano em que passam a viver.

A directora da Sports Legal salientou ainda que o profissionalismo no futebol exige estruturas de protecção, acompanhamento social, transparência e avaliação rigorosa das condições oferecidas aos jogadores, sobretudo menores de idade.

Insistiu na necessidade de uma mudança cultural no futebol africano, assente na responsabilidade colectiva, ética e protecção dos atletas.

“O Silêncio protege o sistema, a acção protege os jogadores”, concluiu aquela responsável.

A Conferência Africana dos Agentes de Futebol FIFA (AFAC 2026, que decorre na Cidade da Praia, reúne dirigentes, agentes da FIFA e representantes do ecossistema futebolístico africano.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 4 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 21 horas atrás

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joão do rosário
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