terça-feira, 29 setembro 2026

Emmanuel Macron quer renovar relações com todo o continente africano

Emmanuel Macron quer o fim da ideia que a França tem uma zona de influência particular em África, nomeadamente com os países francófonos, e quer alargar a cooperação a todos os países do continente. Na conferência Africa Forward, que começa hoje em Nairobi, no Quénia, o Presidente francês quer mostrar exactamente isso, tendo escolhido um país anglófono para a realização desta cimeira.

"Eu nunca considerei a África francófona como uma zona de influência. Eu disse isso logo em novembro de 2017 no discurso de Uagadugu. Eu sempre defendi a África como um todo, e nós somos verdadeiros pan-africanistas. Acreditamos que a África é um continente e que esse continente tem muito a construir. É o continente mais jovem do mundo. Portanto, tem um dividendo demográfico extraordinário. É o continente de crescimento económico mais rápido do mundo. No ano passado, o seu crescimento foi ligeiramente maior do que o do Sudeste Asiático, portanto, precisamos olhar para ele de uma maneira completamente diferente. E, de facto, é um continente que eu não quero mais que a França veja apenas como uma pura zona de influência, onde os líderes empresariais teriam, de alguma forma, todos os direitos, onde todos os contratos estariam garantidos porque se trata da África francófona, e onde, às vezes, algumas pessoas pensavam que a França servia como um género de seguro de vida, de que, independentemente do que acontecesse, a França podia fazer ou desfazer governos. Essa era terminou em 2017", disse o líder francês numa conferência de imprensa conjunta, realizada no domingo com William Rutto.

Este posicionamento acontece depois do corte de relações entre 2020 e 2023 com os três países do Sahel - Mali, Burkina Faso e Niger -, todos eles dominados por juntas militares e que exigiram a saída da presença militar francesa dos seus territórios. Nenhum representante destes países marcará presença hoje em Nairobi.

Aos jornalistas, Emmanuel Macron disse mesmo que tendo em vista a situação actual do Mali, o Presidente francês considera que a junta militar que governa o país "não tomou a melhor decisão ao expulsar as forças francesas do seu território". Quanto à Argélia, outro país com relações tensas com Paris, Macron espera que a situação se apazigue após a viagem da ministra-adjunta da Defesa a Argel.

 

A parceria com o Quénia é o símbolo de uma relação "refundada" com África, já que no país operam 140 empresas francesas. Ainda no domingo, o armador francês CMA CGM assinou um protocolo de 700 milhões de euros com as autoridades quenianas para desenvolver infraestruturas logísticas e de transportes.

Emmanuel Macron está no Quénia até terça-feira, mantendo encontros com a sociedade civil, com os seus homólogos africanos. Na quarta-feira, o líder francês estará na Etiópia.

A Semana com RFI

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 4 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 20 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 3 horas atrás

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