terça-feira, 29 setembro 2026

Congresso de Segurança e Saúde Ocupacional com foco na prevenção e urgência em passar das normas à prática

O evento, organizado pelo Instituto de Segurança e Saúde Ocupacional (ISSO) sob o lema da OIT "Como vai o trabalho?", assinala o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Acidentes de Trabalho e o Dia Nacional da Segurança e Saúde no Trabalho, reunindo especialistas nacionais e internacionais para debater a gestão de riscos e a dignidade laboral.

Em declarações à imprensa, o presidente do ISSO, João de Carvalho, manifestou preocupação com os indicadores de sinistralidade no país, sublinhando que o objetivo do encontro é sensibilizar o Governo, empresários, sindicatos e a sociedade civil para a promoção de um ambiente de trabalho seguro e digno.

“A nossa preocupação é justamente com a dinâmica do país e com o número de acidentes mortais que se tem registado em Cabo Verde. Isso preocupa-nos e é por isso que temos trabalhado no sentido de consciencializar todos os atores”, afirmou.

A mesma fonte destacou que o lema deste ano convida à reflexão sobre a saúde mental, a carga horária e a conciliação entre a vida profissional e familiar.

Para João de Carvalho, o país dispõe já de um quadro normativo, sendo agora imperativo focar na execução.

“Não basta só termos documentos, já é o momento de colocarmos tudo na prática. Já é o momento de termos uma inspeção do trabalho mais eficaz e eficiente, que cumpra com as suas atribuições”, considerou.

Por seu lado, o representante da Ordem dos Engenheiros Técnicos de Portugal, Paulo Moradia, que participa no congresso para partilhar a experiência portuguesa, corroborou a ideia de que o excesso de leis não substitui a consciência dos atores no terreno.

“Independentemente da quantidade de legislação que nós podemos produzir é fundamental o consenso e a consciência dos atores (...). Enquanto todos não tomarmos essa consciencialização, vai ser muito difícil”, alertou o especialista, que apontou a inspeção como uma ferramenta que deve ser, acima de tudo, preventiva e pedagógica.

Paulo Moradia deixou ainda uma recomendação específica para o contexto cabo-verdiano, que é “a aposta na divulgação agressiva” de estatísticas.

“Às vezes as pessoas precisam ser chocadas com os números. A tendência de, às vezes, omitir esses números têm um efeito exatamente ao contrário, porque cria nas pessoas uma sensação de segurança, de que nada acontece. É preciso chocar a comunidade para que todos percebamos a quantidade de pessoas que têm acidentes e que, no extremo, morrem”, sustentou.

O IX Congresso Nacional sobre a Prevenção em SSO conta com a participação de especialistas portugueses e conferencistas nacionais, servindo como plataforma de partilha de conhecimentos técnicos para a redução dos riscos físicos e psicossociais no trabalho em Cabo Verde.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 5 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
24 dias atrás 21 horas atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 4 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...