terça-feira, 29 setembro 2026

Tarrafal /Santiago: Entre o fumo e o sustento, mulher transforma carvão em sobrevivência em Ponta Furna

Ali, onde o dia começa cedo, muitas vezes antes mesmo do sol nascer, no silêncio da zona, quebrado apenas pelo vento e pelo som seco da lenha, "há uma luta diária que não aparece nas estatísticas: a de uma mulher que faz do carvão o sustento da família".

É o caso de Edna Fernandes, uma da mulheres desta localidade, que há cerca de 12 anos se dedica à produção e venda de carvão.

Com mãos marcadas pelo trabalho e o corpo cansado de uma rotina exigente, conta à Inforpress que começou ainda jovem, influenciada pela mãe.

“Minha mãe já fazia carvão… eu cresci nisso”, recorda, enquanto descreve um percurso de mais de uma década ligado a essa actividade.

A mesma fonte explicou que, apesar de existir procura pelo produto, o processo de produção é moroso e exige vários dias de trabalho, podendo, em alguns casos, levar até uma semana, até que o carvão esteja pronto para comercialização.

A actividade envolve o corte e preparação da lenha, a montagem do forno artesanal e o controlo do fogo, num processo exigente e fisicamente desgastante.

Segundo a produtora, trata-se de um trabalho que afecta a saúde, devido à exposição constante ao fumo e sol e ao esforço físico necessário.

Em termos de rendimento, indicou que um saco pequeno de carvão é vendido por cerca de 800 escudos, enquanto os sacos de maior dimensão, com cerca de 50 quilos, podem ser vendidos por cerca de 1.200 escudos, e ainda assim, “os ganhos são insuficientes relativamente às necessidades diárias das famílias”.

Edna Fernandes referiu que a maioria das pessoas que se dedica a esta actividade fá-la por falta de alternativas de emprego na zona, sublinhando ainda que, caso existissem outras oportunidades de trabalho, dificilmente optariam pela produção de carvão.

Outro aspecto destacado prende-se com a redução do número de pessoas envolvidas nesta prática, sobretudo entre os mais jovens, que já não demonstram interesse em seguir esta actividade, considerada dura e pouco compensadora.

Apesar das dificuldades, a produção de carvão continua a desempenhar um papel “importante” na sobrevivência de algumas famílias em Ponta Furna, num contexto marcado pela escassez de emprego e limitadas oportunidades económicas.

 

A Semana com Inforpress

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 6 horas atrás

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jcf
24 dias atrás 23 horas atrás

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joão do rosário
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