terça-feira, 29 setembro 2026

Santo Antão: Agricultores denunciam abandono de infraestruturas do Estado e exigem intervenção urgente

Na localidade de Morgoso, o agricultor e proprietário Bernardo Gomes afirmou à Inforpress que os problemas remontam a 2015, na sequência da tempestade Fred, e que, desde então, o Ministério da Agricultura e Ambiente “não realizou qualquer intervenção” nas estruturas danificadas.

“Tenho tentado fazer algumas intervenções e até manifestei disponibilidade para colaborar, mas o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente na Ribeira Grande, tem de vir ao terreno avaliar a situação. Cabe ao Estado reparar o muro de protecção da levada, que é património público”, denuciou.

Segundo o agricultor, está em causa uma levada com 36 metros naquele troço, cujo muro de protecção ruiu dentro da sua propriedade, colocando em risco a segurança e dificultando o trabalho agrícola.

Bernardo Gomes adiantou que propôs ao Ministério da Agricultura e Ambiente a reconstrução do muro até uma altura de dois metros, comprometendo-se, posteriormente, a dar continuidade às obras na sua parcela.

A mesma fonte denunciou ainda que o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente na Ribeira Grande “negou categoricamente” deslocar-se ao local para avaliar a situação, lamentando a falta de resposta institucional.

“Sinto-me prejudicado em termos de segurança num espaço onde tenho vindo a trabalhar. Preciso de condições para dar continuidade ao meu trabalho e para que tudo fique devidamente organizado”, afirmou.

Segundo Bernardo Gomes, a levada de Comandante, construída em 1956 e com mais de 2.300 metros de extensão, apresenta sinais avançados de degradação, com várias minas em risco de obstrução, o que compromete o abastecimento de água para rega.

“Apesar de o Ministério da Agricultura e Ambiente ter disponibilizado tubos para minimizar os impactos, estes continuam por instalar, situação que agrava as perdas ao longo do percurso da água”, salientou.

Também o presidente da Associação de Agricultores de Caibros, Paulinho Brito, confirmou os constrangimentos, explicando que a organização tem suportado custos e realizado pequenas intervenções para mitigar os prejuízos.

“O apoio do Ministério da Agricultura e Ambiente limitou-se à entrega de cerca de 25 rolos de tubos, mas fomos nós que suportámos o transporte, num custo de 25 mil escudos. Os tubos estão no local há quase quatro anos à espera de instalação”, disse.

Segundo o responsável, as levadas sofrem ruturas frequentes durante períodos de cheia, ficando entupidas ou destruídas em alguns troços, o que compromete o escoamento da água.

Paulinho Brito alertou ainda para o desperdício significativo de água ao longo do trajecto, estimando que cerca de 20 por cento (%), não chega ao final da levada devido às perdas existentes.

“Há água suficiente para irrigar toda a zona até Ribeira Grande, mas grande parte perde-se pelo caminho. Muitos agricultores já investiram em sistemas de rega gota-a-gota, mas não conseguem avançar por falta de condições”, referiu.

Perante este cenário, Paulino Brito apelou “a uma intervenção urgente e concertada”, envolvendo o Estado, e os próprios agricultores e proprietários, de forma a garantir a reabilitação das infraestruturas e o aproveitamento eficiente dos recursos hídricos na região.

Por sua vez, o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente na Ribeira Grande, Orlando Delgado, assegurou que a localidade de Caibros “nunca foi abandonada”, afirmando que os serviços têm realizado deslocações regulares e intervenções pontuais na zona.

Relativamente às infraestruturas, a mesma fonte indicou que o Ministério da Agricultura e Ambiente tem efectuado algumas reparações ao longo do tempo e esclareceu que os tubos disponibilizados à comunidade foram entregues no âmbito de um projecto em parceria com a associação local de agricultores.

Segundo Orlando Delgado, ficou acordado que a instalação dos tubos seria feita de forma conjunta entre técnicos do Ministério da Agricultura e Ambiente e os agricultores.

No entanto, segundo a mesma fonte, “por diversas vezes”, os técnicos deslocaram-se ao terreno sem que houvesse comparência de agricultores ou do presidente da associação.

O responsável sublinhou ainda que o projecto arrancou na mesma altura em localidades como Boca de Coruja, onde, segundo disse, houve maior envolvimento da comunidade, permitindo melhores resultados ao nível da gestão da água e da implementação da rega gota-a-gota.

“No caso de Caibros, o principal constrangimento tem sido a falta de participação”, afirmou.

Sobre as minas, Orlando Delgado referiu que o Ministério da Agricultura e Ambiente tem realizado várias intervenções de reparação, embora surjam novos problemas com alguma frequência, dada a complexidade das infraestruturas.

Sobre a captação na zona de Estritim, o delegado salientou que foi realizada uma intervenção profunda, que permitiu recuperar praticamente toda a estrutura de adução de água naquele ponto.

 

A Semana com Inforpress

Colunistas

Alexandre Vieira Fontes
Alexandre Vieira Fontes
18 Sep. 2026
Filomena Silva: uma jornalista de coragem e...
  Filomena foi uma jornalista de gabarito, dotada de um...
José Rodrigues
José Rodrigues
07 Sep. 2026
Cabo Verde na Vanguarda da Nova Economia:...
A indicação do líder da operadora concessionária deve basear-se...
Léo Rosa de Andrade
Léo Rosa de Andrade
31 Aug. 2026
A ÉTICA DO DESINTERESSE, A VIDA EM...
A cultura do ódio trazida para a vida pública...
César Augusto G. Garcia
César Augusto G. Garcia
21 Aug. 2026
COISAS DO ESTADO ou ESTADO DE COISAS...
Relevar dignidade deste país é fazer com que o...
Tony Miranda
Tony Miranda
21 Aug. 2026
A Inflação do Prestígio: Como a Obsessão...
Esta inflação sistémica de títulos está longe de ser...
Péricles Tavares
Péricles Tavares
03 Aug. 2026
Editorial Analítico — A Década de Conflito...
A política cabo-verdiana viveu, nos últimos dez anos, uma...

Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 7 horas atrás

SENHOR PRESIDENTE, DEIXE-SE DE TRETAS: NÓS SABEMOS QUEM O SENHOR É José Maria Neves vem agora dizer que é “muito melho ...

jcf
25 dias atrás

Cabo Verde tem uma facilidade extraordinária para comentar o que se passa na casa dos outros. Guiné-Bissau, Angola, Moçamb ...

joão do rosário
27 dias atrás 6 horas atrás

Isto já parece gozo. 177 casos desde o início do ano e já estão outra vez a sacudir o fantasma da pandemia. Sem números ...