terça-feira, 29 setembro 2026

UE apela aos Estados-membros para que reduzam a procura de petróleo e se preparem para interrupção prolongada

Os ministros da Energia e das Finanças do G7 afirmaram na segunda-feira que estão a acompanhar de perto o impacto do conflito com o Irão na energia e na estabilidade económica geral, acrescentando que estão preparados para tomar "todas as medidas necessárias" para garantir a segurança do mercado.

 

O comissário europeu Dan Jørgensen instou as capitais da UE a definirem medidas para reduzir o consumo de petróleo e gás, especialmente nos transportes, numa altura em que a UE se prepara para possíveis perturbações no abastecimento no Estreito de Ormuz, no contexto do conflito com o Irão.

Uma carta datada de 30 de março, a que a Euronews teve acesso, solicitava aos ministros da Energia que apresentassem um relatório sobre a capacidade atual do mercado e propusessem ações práticas para reduzir a procura.

O apelo surge num momento em que os ministros se reúnem, na terça-feira, para uma sessão de emergência destinada a abordar uma escassez global de 11 milhões de barris de petróleo por dia e de mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) diariamente.

Os ministros da Energia e das Finanças do G7 afirmaram na segunda-feira que estão a acompanhar de perto o impacto do conflito com o Irão na energia e na estabilidade económica geral, acrescentando que estão preparados para tomar "todas as medidas necessárias" para garantir a segurança do mercado.

Embora não tenham sido acordadas medidas concretas, como a libertação de reservas estratégicas, as discussões prepararam o terreno para a avaliação da UE de hoje.

O aumento dos preços já está a tornar os transportes mais caros, afirmou Jørgensen, instando as capitais da UE a coordenarem-se para manter o gasóleo e o combustível para aviões disponíveis e a preços acessíveis.

Embora o abastecimento global de petróleo pareça controlável por enquanto, crescem as preocupações em relação ao gasóleo e ao combustível para aviões, em que a Europa continua fortemente dependente das importações da Arábia Saudita e do Kuwait. Cerca de 20% do gasóleo consumido na UE e no Reino Unido provém da região do Golfo, de acordo com a empresa de comércio de matérias-primas Alkagesta.

Menos viagens rodoviárias e menos voos para poupar energia

A Comissão Europeia manifestou a sua preocupação relativamente à dependência da UE da região do Golfo no que diz respeito ao gasóleo e ao combustível para aviões, à escassez de fornecedores alternativos e à capacidade de refinação insuficiente no seio do bloco.

Uma carta a que a Euronews teve acesso aconselha os países da UE a adiarem a manutenção das refinarias de petróleo para manter a produção e sugere que se considere a utilização de biocombustíveis como alternativa.

Dados da S&P Global Commodities at Sea mostram que as importações europeias de combustível para aviação e querosene atingiram 1,064 milhões de toneladas métricas em março, uma descida em relação aos 1,111 milhões registados em fevereiro.

Uma fonte do setor da aviação sediada na Europa alertou: "Se isto continuar, no verão estaremos todos em apuros – o cancelamento de voos será a única solução."

Os governos da UE foram também instados a garantir um armazenamento adequado de gás para o próximo inverno, sem provocar picos de preços ou perturbações no mercado. Jørgensen destacou que um encerramento efetivo do Estreito de Ormuz — uma rota vital para cerca de 25–30% do petróleo global e 20% do GNL — está a exercer uma pressão significativa sobre os mercados internacionais.

Apesar da magnitude da potencial perturbação, o abastecimento energético imediato da UE "continua sob controlo", afirmou o comissário europeu Dan Jørgensen aos ministros.

No entanto, Bruxelas insta as capitais a "tomarem medidas atempadas" em antecipação a uma "perturbação potencialmente prolongada".

A UE depende dos mercados globais de combustíveis fósseis, competindo diretamente com outros consumidores. Com a atual situação de escassez no mercado do petróleo e do gás, o aumento da concorrência está a provocar uma maior volatilidade dos preços e da oferta, levando vários navios-tanque de GNL com destino à Europa a desviarem-se para a Ásia em busca de rendimentos mais elevados.

O conflito já empurrou o petróleo Brent para 119 dólares por barril, acima dos cerca de 70 dólares antes da guerra, com os analistas a alertarem que os preços podem subir para os 200 dólares em cenários imprevisíveis.

Os preços do gás natural também poderão subir para níveis observados durante a crise energética de 2022, quando o bloco perdeu cerca de 44–45% das suas importações russas na sequência da invasão da Ucrânia por Moscovo.

Andreas Guth, secretário-geral da associação comercial Eurogas, afirmou que é "crítico para o futuro da Europa" eliminar atrasos e incertezas desnecessários no acesso a novos fornecimentos ao abrigo das regras da UE.

Medidas de preparação e mitigação

O comissário europeu Dan Jørgensen afirmou aos ministros da UE que o bloco está "relativamente preparado", graças às regras de armazenamento e aos planos de contingência.

A 20 de março, as capitais receberam instruções para reduzir os níveis de armazenamento de gás, a fim de evitar compras motivadas pelo pânico, permitindo que os atuais níveis de 90% fossem reduzidos para um mínimo de 75%.

A UE mantém reservas de petróleo de emergência para 90 dias e cadeias de abastecimento globais diversificadas. As reservas de petróleo da Europa, incluindo as do Reino Unido e da Suíça, totalizam cerca de 100 milhões de toneladas — o equivalente a aproximadamente um ano de consumo da Alemanha.

A 11 de março, a Agência Internacional de Energia (AIE) coordenou a libertação de mais de 400 milhões de barris das reservas de emergência, com os países da UE a contribuírem com cerca de 20% desse total.

A Comissão salientou a importância da unidade, alertando que políticas nacionais descoordenadas poderiam perturbar o mercado interno de energia da UE.

Medidas que aumentem o consumo de combustível ou restrinjam o comércio transfronteiriço poderiam agravar os problemas de abastecimento, afirmou Jørgensen. Instou ainda os países da UE a agirem como um sistema único e a coordenarem ativamente a monitorização do abastecimento para contrariar a volatilidade do mercado.

A Semana com Euronews

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Comentários

joão do rosário
23 dias atrás 9 horas atrás

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jcf
25 dias atrás 2 horas atrás

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joão do rosário
27 dias atrás 8 horas atrás

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